calado quero ficar
munido apenas de palavras ingênuas
cantos juvenis prontos a entrarem em cena
desperto pela chama que aquece o sangue
de meu silêncio fugirei
apenas pra fazer rir, chorar
alguém que goste de mim
também
de mim o silêncio
deixou-me sozinho com suas palavras irmãs
companheiras nas horas vagas de prazer
pra entreter nosso sexo, brigas e comparações descomparadas
disparatadas ao cèu, logo esquecidas
acalmadas pela chuva feita breve repentina
fechando nossos olhos,
retornando ao sonho nosso calado,
dormindo
acordado,
quero ficar.
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
nâo, não vâo me dizer o que eu possa ser
parecer ou estar apaixonado sem razão
não, ninguém vai explicar o jeito de falar
da vida ou do mar ninguém sabe explicar
pelos signos dos astros ou pelas leis fabricadas
não ninguém vai me dizer o que fazer
a hora que eu quiser esquecer e não aprender
não viver não existir, ao contrário do que se pensa,
fuga da história, de tudo o que se pensou
viverei sempre no novo ainda que igual
em desesperos pequenos prefiro esquecer todos os nomes que já me deram
é que nenhuma palavra mesmo pode dizer o que se passa
o silêncio apenas nos basta,
pois mesmo dizer sim seria erro, quero olhar abraçar, agir
apenas agir sem nada significar e assim amar
apenas isso amar e não dizer nada, nada
nada pode ser dito quando tudo já não foi
parecer ou estar apaixonado sem razão
não, ninguém vai explicar o jeito de falar
da vida ou do mar ninguém sabe explicar
pelos signos dos astros ou pelas leis fabricadas
não ninguém vai me dizer o que fazer
a hora que eu quiser esquecer e não aprender
não viver não existir, ao contrário do que se pensa,
fuga da história, de tudo o que se pensou
viverei sempre no novo ainda que igual
em desesperos pequenos prefiro esquecer todos os nomes que já me deram
é que nenhuma palavra mesmo pode dizer o que se passa
o silêncio apenas nos basta,
pois mesmo dizer sim seria erro, quero olhar abraçar, agir
apenas agir sem nada significar e assim amar
apenas isso amar e não dizer nada, nada
nada pode ser dito quando tudo já não foi
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Trovões assustadores
Esbravejaram suas dores
Numa bela tarde de chuva
Em meu céu primaveril.
Corações ao alto se tremeram
Com medonhas explosões,
Palpitantes, fora dos eixos
Do meu corpo, furacões.
Caindo à meia-noite
No meu colo beijos doces,
Pétalas e flores
Dissiparam grandes dores.
Madrugada fria só
De sono foi alçada
Ao céu por grandes olhos
Escondendo sonhos chaves.
Acordado, libertei-me
De nuvens bem seguras,
À lua me entreguei
Com as graças da loucura.
No horizonte vi o sol,
Com seus raios tão distantes,
Próximo da luz
Com meus olhos penetrantes.
T.F.
Esbravejaram suas dores
Numa bela tarde de chuva
Em meu céu primaveril.
Corações ao alto se tremeram
Com medonhas explosões,
Palpitantes, fora dos eixos
Do meu corpo, furacões.
Caindo à meia-noite
No meu colo beijos doces,
Pétalas e flores
Dissiparam grandes dores.
Madrugada fria só
De sono foi alçada
Ao céu por grandes olhos
Escondendo sonhos chaves.
Acordado, libertei-me
De nuvens bem seguras,
À lua me entreguei
Com as graças da loucura.
No horizonte vi o sol,
Com seus raios tão distantes,
Próximo da luz
Com meus olhos penetrantes.
T.F.
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
águas só
Deitado sobre a cama
Como um barco sobre o lago,
Apenas um e os seus mistérios pelas águas.
Aquática cadeia alimentar,
Mandíbulas marcadas pelo sangue,
Presas indefesas se escondendo da morte,
Monstruosidades, cada vez maiores, belas.
E o corpo sobre a cama
Flutuando,
Retorcendo-se,
Tempestades, calmarias,
Profundas demais pra atingirem o céu.
T.F.
Como um barco sobre o lago,
Apenas um e os seus mistérios pelas águas.
Aquática cadeia alimentar,
Mandíbulas marcadas pelo sangue,
Presas indefesas se escondendo da morte,
Monstruosidades, cada vez maiores, belas.
E o corpo sobre a cama
Flutuando,
Retorcendo-se,
Tempestades, calmarias,
Profundas demais pra atingirem o céu.
T.F.
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
é que eu tenho centenas,
milhares, uma infinidade de pessoas dentro de mim,
por entre as entranhas, respirando ventos que passam,
por entre os olhares,
refletindo cegos ares.
nas palavras da boca,
no falar quando se cala,
eu tenho almas, milhares delas também,
espalhadas por aí
entre os cabelos, esquinas da infância.
nos espaços da distância,
a força de milhares,
e o grito que dissipa
desejos escondidos
e as vozes multiplicam
desejos escondidos.
desembocam em mim
sonhos infinitos
derrubando placas pelas vias das artérias.
T.F.
milhares, uma infinidade de pessoas dentro de mim,
por entre as entranhas, respirando ventos que passam,
por entre os olhares,
refletindo cegos ares.
nas palavras da boca,
no falar quando se cala,
eu tenho almas, milhares delas também,
espalhadas por aí
entre os cabelos, esquinas da infância.
nos espaços da distância,
a força de milhares,
e o grito que dissipa
desejos escondidos
e as vozes multiplicam
desejos escondidos.
desembocam em mim
sonhos infinitos
derrubando placas pelas vias das artérias.
T.F.
domingo, 1 de agosto de 2010
sábado, 24 de julho de 2010
quases
“A rua onde se localiza esta casa situa-se não muito longe do centro da cidade e talvez seu aspecto mais peculiar seja o tamanho, visto que – tratando-se de manter uma caminhada tal qual sua velocidade permaneça constante, embora não muito veloz, mas sim apenas um calmo andar flanante - não se demora muito em percorrer seu comprimento. Quando digo esta casa refiro-me a casa à qual se localiza também o quarto onde registro minhas observações acerca da rua onde se localiza esta casa que também abriga outras casas e cães de latidos vespertinos. O seu curto tamanho – que fora destacado – não pode ser descrito, especificado ou assinalado através da possibilidade de visão de uma extremidade à outra dela, a rua, visto ser tal possibilidade inexistente devido ao seu aspecto físico formal: a rua comporta-se de maneira a estabelecer uma concavidade exatamente na altura em que esta casa se situa e alinha-se em forma reta apenas num de seus começos ou fins – dependendo do referencial – e seu ponto íngreme se vê mais acentuado apenas numa terça parte de seu comprimento. Outra peculiaridade que talvez seja importante de ser registrada é a sua calmaria, não que tal característica seja de fato agradável ou desagradável, assim também como sua pequenez, mas demonstra apenas a pouca quantidade de meios de transporte a transitarem pelas suas concretudes, e claro, isto também não quer dizer que todos os meios de transportes sejam barulhentos, vale lembrar o caso dos navios. Pode até ser que a rua pelo dia todo fique repleta deles, sem eu mesmo me dar conta no meu profundo sono. A quantidade de terrenos sem construções não é muita, e tal fato tornou-se ainda mais evidente pelo soerguimento de novas moradas nos últimos meses, o que fez com que caísse pela metade o número de terrenos baldios, baixando de seis para três. Nela também existem algumas alegres arvorezinhas e uma simpática e bonita garota que mora há alguns metros acima desta casa deste meu quarto.
Ainda que esta rua, relativamente calma e pequena, não permita a passagem de muitos transeuntes – isto devido ser ela muito fora de mão e ser desnecessária ao uso que se possa fazer para o deslocamento de qualquer outro lugar a outro, portanto ser usada quase sempre apenas por quem tem como destino a própria rua-, ainda assim podem-se verificar visitas aos produtos produzidos (sim, produtos produzidos) diariamente pelas famílias ou pessoas inquilinas das fabricasas. De maneira involuntária ou inconsciente ou ainda inevitável, seja lá o que for, a todo o momento despeja-se para fora das casas sacolas de variadas cores e tamanhos, pretas grandes, brancas com logotipos de mercados e até mesmo amarelas, raras vezes verdes, azuis ou vermelhas, e sempre de plástico, quando não, são caixas de papelões, oriundas quase sempre de alguma mudança imobiliária. Estas sacolas aconchegam-se em compartimentos de metal erguidos ao alto com uma forma de caixa em sua extremidade e um suporte feito perpendicular à caixa apoiando-a, separando-a do chão. Ainda em alguns pontos da sarjeta observa-se a presença das sacolas. Chamamos de lixo os objetos internos da sacola. É interessante lembrar que bastante próximo a esta rua, verifica-se a existência de uma imensa estrutura fabripredial, com um nome escrito em vermelho designando uma fábrica de alimentos produzidos em larguíssima escala. Lá se trabalha para produzir de forma voluntária e consciente – evitável ou inevitável ou até mesmo necessária ou desnecessária, isto eu já não sei – alimentos como café, biscoitos e açúcar são sabidos serem produzidos devido ao cheiro que se sente de tais.
Acredito eu, ser a fábrica mais facilmente percebida pela sua estrutura do que pelo cheiro que produz. E olha que o cheiro é bastante disperso e há relatos de pessoas que moram muito distante da fábrica e ainda assim conseguem percebê-lo, porém o seu tamanho prevalece, sim a fábrica é enorme e sua marca espalhada por toda a cidade, talvez nestas extensões é que consista o seu tamanho prevalente. Devido à proximidade à nossa pequena rua, algumas pessoas que por ali passaram – pela fábrica – certamente já passaram por aqui também, e puderam sentir no ar do local o impregnante cheiro doce e enjoativo de milhares de bolachas. Já nas pequenas fabricasas desta rua, produtoras involuntárias etc., não se pode dizer o mesmo, pois muitas vezes não há cheiros e nenhuma curiosidade de experimentá-los, quando haviam, foi aguçada em mim por muito tempo. Mesmo assim, há interesse por parte de alguns nos produtos fabricaseiros. Não é raro acontecer que as sacolas se vêem utilizadas, isto é, encontram-se deslocadas e rasgadas e até mesmo, segundo alguns moradores, saqueadas. Como honestos donos de seus produtos, alguns moradores defendem sua mercadoria com coragem e braveza, indignando-se contra os indivíduos atrevidos prontos a se darem bem a suas custas. Sendo assim, permanecem em estado de alerta até o momento do caminhão recolhedor passar e resgatar seus produtos, vulneráveis aos fatos da vida da rua..
Podem-se identificar muito facilmente os seres cujos interesses se voltam aos produtos das fábricas. Muitas vezes estão em conjunto, são até mesmo casados, embora muitas vezes também estejam sozinhos ou têm filhos. Possuem meios de transporte que os levam sempre ao caminho que lhes foi escolhido ou mesmo eles escolheram, nenhum prescinde de seu corpo, alguns utilizam para além do corpo objetos com rodas que se aceleram com um gesto, todos sempre seguindo um caminho em busca de algum produto interessante e até mesmo, muitas vezes, necessário. Os produtos também seguem seus caminhos, de mãos em mãos, transformando-se em, cada lugar por onde passam, da terra às mãos, do dinheiro ao caminhão, do caminhão às embalagens, das embalagens aos rostos bonitos na TV daquela garota simpática que mora nalguma rua, nalguma casa, nalgum quarto, direto para mesa da casa da rua do mesmo quarto que é o daquele que dorme, fazendo a digestão, finalizada com uma limpada muito boa fétida pelo mesmo papel da embalagem da ração futuramente fecal humanimalvegetativa. Eis os caminhos do engravatado dirigido pelo sedan até mesmo ao empoeirado interessado no produto fabricaseiro restante junto ao pó de café já usado e que talvez vá parar nalguma barriga microorganismante da vida acabada em pó. Os obstáculos aos seus caminhos servem apenas para lhes tirar da aparente vidaassimesmo monótona sem muita graça a espera de uma morte sadia no paraíso celeste, qualquer erro do sistema basta para lhes tirar do sério: o pneu furado, o telefone sem bateria, um dia de chuva sem energia, senha esquecida, são tantos os problemas até o produto chegar ao fim, quando chega ao fim está pronto, pronto alimento para outros seres, vivos em sua pequenez tão relativa quanto à da rua.”
T.F.
Ainda que esta rua, relativamente calma e pequena, não permita a passagem de muitos transeuntes – isto devido ser ela muito fora de mão e ser desnecessária ao uso que se possa fazer para o deslocamento de qualquer outro lugar a outro, portanto ser usada quase sempre apenas por quem tem como destino a própria rua-, ainda assim podem-se verificar visitas aos produtos produzidos (sim, produtos produzidos) diariamente pelas famílias ou pessoas inquilinas das fabricasas. De maneira involuntária ou inconsciente ou ainda inevitável, seja lá o que for, a todo o momento despeja-se para fora das casas sacolas de variadas cores e tamanhos, pretas grandes, brancas com logotipos de mercados e até mesmo amarelas, raras vezes verdes, azuis ou vermelhas, e sempre de plástico, quando não, são caixas de papelões, oriundas quase sempre de alguma mudança imobiliária. Estas sacolas aconchegam-se em compartimentos de metal erguidos ao alto com uma forma de caixa em sua extremidade e um suporte feito perpendicular à caixa apoiando-a, separando-a do chão. Ainda em alguns pontos da sarjeta observa-se a presença das sacolas. Chamamos de lixo os objetos internos da sacola. É interessante lembrar que bastante próximo a esta rua, verifica-se a existência de uma imensa estrutura fabripredial, com um nome escrito em vermelho designando uma fábrica de alimentos produzidos em larguíssima escala. Lá se trabalha para produzir de forma voluntária e consciente – evitável ou inevitável ou até mesmo necessária ou desnecessária, isto eu já não sei – alimentos como café, biscoitos e açúcar são sabidos serem produzidos devido ao cheiro que se sente de tais.
Acredito eu, ser a fábrica mais facilmente percebida pela sua estrutura do que pelo cheiro que produz. E olha que o cheiro é bastante disperso e há relatos de pessoas que moram muito distante da fábrica e ainda assim conseguem percebê-lo, porém o seu tamanho prevalece, sim a fábrica é enorme e sua marca espalhada por toda a cidade, talvez nestas extensões é que consista o seu tamanho prevalente. Devido à proximidade à nossa pequena rua, algumas pessoas que por ali passaram – pela fábrica – certamente já passaram por aqui também, e puderam sentir no ar do local o impregnante cheiro doce e enjoativo de milhares de bolachas. Já nas pequenas fabricasas desta rua, produtoras involuntárias etc., não se pode dizer o mesmo, pois muitas vezes não há cheiros e nenhuma curiosidade de experimentá-los, quando haviam, foi aguçada em mim por muito tempo. Mesmo assim, há interesse por parte de alguns nos produtos fabricaseiros. Não é raro acontecer que as sacolas se vêem utilizadas, isto é, encontram-se deslocadas e rasgadas e até mesmo, segundo alguns moradores, saqueadas. Como honestos donos de seus produtos, alguns moradores defendem sua mercadoria com coragem e braveza, indignando-se contra os indivíduos atrevidos prontos a se darem bem a suas custas. Sendo assim, permanecem em estado de alerta até o momento do caminhão recolhedor passar e resgatar seus produtos, vulneráveis aos fatos da vida da rua..
Podem-se identificar muito facilmente os seres cujos interesses se voltam aos produtos das fábricas. Muitas vezes estão em conjunto, são até mesmo casados, embora muitas vezes também estejam sozinhos ou têm filhos. Possuem meios de transporte que os levam sempre ao caminho que lhes foi escolhido ou mesmo eles escolheram, nenhum prescinde de seu corpo, alguns utilizam para além do corpo objetos com rodas que se aceleram com um gesto, todos sempre seguindo um caminho em busca de algum produto interessante e até mesmo, muitas vezes, necessário. Os produtos também seguem seus caminhos, de mãos em mãos, transformando-se em, cada lugar por onde passam, da terra às mãos, do dinheiro ao caminhão, do caminhão às embalagens, das embalagens aos rostos bonitos na TV daquela garota simpática que mora nalguma rua, nalguma casa, nalgum quarto, direto para mesa da casa da rua do mesmo quarto que é o daquele que dorme, fazendo a digestão, finalizada com uma limpada muito boa fétida pelo mesmo papel da embalagem da ração futuramente fecal humanimalvegetativa. Eis os caminhos do engravatado dirigido pelo sedan até mesmo ao empoeirado interessado no produto fabricaseiro restante junto ao pó de café já usado e que talvez vá parar nalguma barriga microorganismante da vida acabada em pó. Os obstáculos aos seus caminhos servem apenas para lhes tirar da aparente vidaassimesmo monótona sem muita graça a espera de uma morte sadia no paraíso celeste, qualquer erro do sistema basta para lhes tirar do sério: o pneu furado, o telefone sem bateria, um dia de chuva sem energia, senha esquecida, são tantos os problemas até o produto chegar ao fim, quando chega ao fim está pronto, pronto alimento para outros seres, vivos em sua pequenez tão relativa quanto à da rua.”
T.F.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
uma hora para a loucura e a alegria
Uma hora para a loucura e a alegria! Ó furiosos! Oh, não me confinem!
(O que é isto que me liberta assim nas tempestades?
Que significam meus gritos em meio aos relâmpagos e aos ventos rugidores?)
Oh, beber os delírios místicos mais fundamente que qualquer outro homem!
Ó dolências selvagens e ternas! (Recomendo-as a vocês, minhas crianças,
Dou-as a vocês, como razões, ó noivo e noiva!)
Oh, me entregar a vocês, quem quer que sejam vocês, e vocês se entregarem a mim, num desafio ao mundo!
Oh, retornar ao Paraíso! Ó acanhados e femininos!
Oh, puxar vocês para mim, e plantar em vocês pela primeira vez os lábios de um homem decidido.
Oh, o quebra-cabeça, o nó de três voltas, o poço fundo e escuro – tudo isso a se desatar e a se iluminar!
Oh, precipitar-me onde finalmente haverá espaço e ar o bastante!
Ser absolvido de laços e convenções prévias, eu dos meus e vocês dos seus!
Encontrar uma nova relação – desinteressada – com o que há de melhor na Natureza!
Tirar da boca a mordaça!
Ter hoje ou todos os dias o sentimento de que sou suficiente como sou!
Oh, qualquer coisa ainda não experimentada! Qualquer coisa em transe!
Escapar totalmente aos grilhões e âncoras dos outros!
Libertar-me! Amar livremente! Arremeter perigosa e imprudentemente!
Cortejar a destruição com zombarias e convites!
Ascender, galgar os céus do amor que foi indicado para mim!
Subir até lá com minha alma inebriada!
Perder-me, se preciso for!
Alimentar o resto da vida com uma hora de completude e liberdade!
Com uma hora breve de loucura e alegria.
Walt Whitman,
tradução de Renato Suttana
(O que é isto que me liberta assim nas tempestades?
Que significam meus gritos em meio aos relâmpagos e aos ventos rugidores?)
Oh, beber os delírios místicos mais fundamente que qualquer outro homem!
Ó dolências selvagens e ternas! (Recomendo-as a vocês, minhas crianças,
Dou-as a vocês, como razões, ó noivo e noiva!)
Oh, me entregar a vocês, quem quer que sejam vocês, e vocês se entregarem a mim, num desafio ao mundo!
Oh, retornar ao Paraíso! Ó acanhados e femininos!
Oh, puxar vocês para mim, e plantar em vocês pela primeira vez os lábios de um homem decidido.
Oh, o quebra-cabeça, o nó de três voltas, o poço fundo e escuro – tudo isso a se desatar e a se iluminar!
Oh, precipitar-me onde finalmente haverá espaço e ar o bastante!
Ser absolvido de laços e convenções prévias, eu dos meus e vocês dos seus!
Encontrar uma nova relação – desinteressada – com o que há de melhor na Natureza!
Tirar da boca a mordaça!
Ter hoje ou todos os dias o sentimento de que sou suficiente como sou!
Oh, qualquer coisa ainda não experimentada! Qualquer coisa em transe!
Escapar totalmente aos grilhões e âncoras dos outros!
Libertar-me! Amar livremente! Arremeter perigosa e imprudentemente!
Cortejar a destruição com zombarias e convites!
Ascender, galgar os céus do amor que foi indicado para mim!
Subir até lá com minha alma inebriada!
Perder-me, se preciso for!
Alimentar o resto da vida com uma hora de completude e liberdade!
Com uma hora breve de loucura e alegria.
Walt Whitman,
tradução de Renato Suttana
sábado, 10 de julho de 2010
loja
' O velho criança azul vestido, azulzinho barato decadente como o próprio corpo que o veste. Ao amanhecer, acordado pela luz, de seu hábito supremo, acesa, pelo senhor deus servidor, encaminha-se ao seu ponto de sustento, tomado pela crença de ser especial - por ter tido a chance de permanecer num estado, crido sustentável, e bastante alegre a seu ver. Pois para ele o seu hábito esforçável bastante respeitável aos olhos corretos permite-o distinguir o verdadeiro trabalho e o verdadeiro costume amordaçante louco. Sim, ele realmente passa suas horas à espera da compassiva amizade ridiculante monetária; atravessa-se a rua e compra-se, resgata-se o perecível, o bastante, o apenas, satisfatório e nada mais. O tédio o consumiria?se talvez, de repente, dádivas alementares divinas suprissem todo o tempo perdido ao sustento geral, mas ele pode mais, o tédio o consumiria?sim, e o velho não conseguiria viver sem os seus, tão valiosos, "obinhas" e "tchauzinhos" acenantes cotidianos aos conhecidos amigos de mísera riqueza vital; visto ser necessário, - um sorriso distraído - ás regras plurisociopetetetetetetetéticas, toda tentativa de agrado cansado e esforçado, fingido jamais, - o velho realmente alegre é -, sente-se feliz em sua aparente compaixão iluminada, simpatia agradecida reciprocante. A espera, morbidez aguda, poisnãozando aos pcorcpozuínos, trocando organismos microscópicos papelares pelo corte certimento do calçado vaquífero coro, distribuinte de sua música boa aos ouvidos, demonstrante do progresso orgulhável da nação unida. Mas, o velho troca sim, troca seus organismantes substratos corporais externos eternos enterros retornantes do dinheiro pego nas ruas - julgantes apontantes dos ladrões ditos sujos entre os limpos velhos velhas e padres. O bêbado não registrou a tua grana porque só achou, uma, sujeira circular dourada na mão do velho.-.Não suportante da situação preeeescrita, o velho deu a redondinha, com aquele mesmo sorriso umpouquinhodiferente do mesmo menino faminto ganhador do prêmio da coxinha redondinha mandioquinha com carninha moidinha dada pela mãe na sua boquinha.'
T.F.
T.F.
terça-feira, 18 de maio de 2010
morte às mãos barbudas
'Derrubarei mestres,
Destronarei reis,
Destruirei ídolos na fogueira da mudez.
Queimarei livros,
Escreverei infâmias
Sentirei meu corpo, cortarei velhos ossos.
Nadarei nas profundezas do abismo,
Ditarei passos nus,
Fingirei dor fingida
Entre fantasmas diletantes
Candidatos a rei na terra pequena.'
T.F.
Destronarei reis,
Destruirei ídolos na fogueira da mudez.
Queimarei livros,
Escreverei infâmias
Sentirei meu corpo, cortarei velhos ossos.
Nadarei nas profundezas do abismo,
Ditarei passos nus,
Fingirei dor fingida
Entre fantasmas diletantes
Candidatos a rei na terra pequena.'
T.F.
quarta-feira, 12 de maio de 2010
a cachorrinha
'Mas que amor de cachorrinha!
Mas que amor de cachorrinha!
Pode haver coisa no mundo
Mais branca, mais bonitinha
Do que a tua barriguinha
Crivada de mamiquinha?
Pode haver coisa no mundo
Mais travessa, mais tontinha
Que esse amor de cachorrinha
Quando vem fazer festinha
Remexendo a traseirinha?
Uau,uau,uau,uau!
Uau,uau,uau,uau!
'
Vinícuas de Moraes, Antonio Carlos Jobim
Mas que amor de cachorrinha!
Pode haver coisa no mundo
Mais branca, mais bonitinha
Do que a tua barriguinha
Crivada de mamiquinha?
Pode haver coisa no mundo
Mais travessa, mais tontinha
Que esse amor de cachorrinha
Quando vem fazer festinha
Remexendo a traseirinha?
Uau,uau,uau,uau!
Uau,uau,uau,uau!
'
Vinícuas de Moraes, Antonio Carlos Jobim
domingo, 25 de abril de 2010
Os poetas vermelhos
.
"São poetas os que reviraram os olhos para dentro
Muito acima e abaixo do eixo do globo ocular
E num doloroso processo extremo
Ficaram a olhar de frente o próprio cérebro
Imensamente à procura de alguém que os ensinasse
A ser Locomotiva Algarismo Astro
Porque desde crianças que a isso aspiram
E não houve ninguém que finalmente tirasse disso partido
De uma vez pôr tudo em pratos limpos:
- Isto aqui não serve Isto aqui é para ser assim
De modo que ficaram todos à disposição
Mais coisa menos coisa
Dos terra-a-terra enfermos
De ter que dobrar a espinha na fábrica das munições azuis
E de irritar os poetas vermelhos
Do outro lado do planeta
Que por sua vez vinham na direcção inversa
De olhar as coisas sem olhos e com o próprio cérebro
Confiados que estavam na subtileza
De inventar conceitos com os dedos abertos
E, juntos, descobrindo-se uns aos outros inconfundíveis
Tentaram içar o mundo muito para além das Pirâmides
Muito para além da Aurora Boreal
- Sempre com o coiso adormecido -
E desataram a rimar Sonho com Matéria
(Dois mil anos depois
De terem rimado Maria e José debaixo da estrela)
Felizes por darem as mãos outrora atadas
E acordarem pássaros e instinto Sós
Mas logo Paris telegrafou a Moscovo
Que telegrafou a Washington
Que telegrafou a Londres
Que telegrafou a mim
Avisando-me para não repetir a asneira
(E escrever coisas lindas
Para se usarem coladas na boca neste Inverno.)"
Mario Osorio
http://fumodomeucigarro.blogspot.com/
"São poetas os que reviraram os olhos para dentro
Muito acima e abaixo do eixo do globo ocular
E num doloroso processo extremo
Ficaram a olhar de frente o próprio cérebro
Imensamente à procura de alguém que os ensinasse
A ser Locomotiva Algarismo Astro
Porque desde crianças que a isso aspiram
E não houve ninguém que finalmente tirasse disso partido
De uma vez pôr tudo em pratos limpos:
- Isto aqui não serve Isto aqui é para ser assim
De modo que ficaram todos à disposição
Mais coisa menos coisa
Dos terra-a-terra enfermos
De ter que dobrar a espinha na fábrica das munições azuis
E de irritar os poetas vermelhos
Do outro lado do planeta
Que por sua vez vinham na direcção inversa
De olhar as coisas sem olhos e com o próprio cérebro
Confiados que estavam na subtileza
De inventar conceitos com os dedos abertos
E, juntos, descobrindo-se uns aos outros inconfundíveis
Tentaram içar o mundo muito para além das Pirâmides
Muito para além da Aurora Boreal
- Sempre com o coiso adormecido -
E desataram a rimar Sonho com Matéria
(Dois mil anos depois
De terem rimado Maria e José debaixo da estrela)
Felizes por darem as mãos outrora atadas
E acordarem pássaros e instinto Sós
Mas logo Paris telegrafou a Moscovo
Que telegrafou a Washington
Que telegrafou a Londres
Que telegrafou a mim
Avisando-me para não repetir a asneira
(E escrever coisas lindas
Para se usarem coladas na boca neste Inverno.)"
Mario Osorio
http://fumodomeucigarro.blogspot.com/
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Seu sorriso esvaía-se no que ele andava, uma pesada nuvem encobrindo o sol lentamente, sombreando a rude fachada do Trinity. Bondes passavam uns após outros, indo, vindo, retinindo. Palavras inúteis. As coisas continuam as mesmas; dia após dia: pelotões de polícia marchando para diante, para trás; bondes indo, vindo. Aqueles dois aluados acuados por aí. Dignam acarretado. Mina Purefoy barriga inchada num leito ganindo para ter um filho arrancado de dentro dela. Um nascido a cada segundo algures. Outro morrendo a cada segundo. Desde que dei de comer às aves faz cinco minutos. Trezentos bateram com o cu na cerca. Outros trezentos nascidos, relavados do sangue, todos são lavados no sangue do anho, mugindo maaaaaa.
Uma cidadada trespassando , outra cidadada chegando, trespassando também: outra chegando, trespassando. Casas, filas de casas, ruas, milhas de pavimentos, tijolos amontoados, pedras. Mudando de mãos. Este dono, aquele. O proprietário não morre nunca, dizque. Um mete-se no sapato do outro quando este recebe a ordem de deixar. Compram o sítio com ouro e ainda assim têm o ouro todo. Falcatrua nisso em algum ponto. Empilhados em cidades, gastados geração após geração. Pirâmides sobre a areia. Construídos de pâo e de cebolas. Escravos. Muralha da China. Babilônia. Pedras grandes deixadas. Torres redondas. O resto, entulho, subúrbios escarrapachados, assopapados, casas-cogumelos de Kervan, construídas de vento. Refúgio da noite.
Ulisses, J. Joyce. Civilização Brasileira, tradução: Antônio Houaiss, p-186
Uma cidadada trespassando , outra cidadada chegando, trespassando também: outra chegando, trespassando. Casas, filas de casas, ruas, milhas de pavimentos, tijolos amontoados, pedras. Mudando de mãos. Este dono, aquele. O proprietário não morre nunca, dizque. Um mete-se no sapato do outro quando este recebe a ordem de deixar. Compram o sítio com ouro e ainda assim têm o ouro todo. Falcatrua nisso em algum ponto. Empilhados em cidades, gastados geração após geração. Pirâmides sobre a areia. Construídos de pâo e de cebolas. Escravos. Muralha da China. Babilônia. Pedras grandes deixadas. Torres redondas. O resto, entulho, subúrbios escarrapachados, assopapados, casas-cogumelos de Kervan, construídas de vento. Refúgio da noite.
Ulisses, J. Joyce. Civilização Brasileira, tradução: Antônio Houaiss, p-186
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Matias chorão
"pára-brisa vascular morreu na noite do natal vespertino de lúcifer caído na noite serena. madrinhas de Sofia pegaram varinhas na mão das árvores de sorrendo. joões nadantes em lagos seculares de luas oculares. bifurcações petrolíferas nas noites sudoríparas (assim mesmo?) jorraram sangue em meu peito de animal destrinchado pela garra leonina. mentiras escritas sem tinta caminharam pelos átomos velozes multicores diante do céu negro, do outono de quatro trintas morreram sozinhos soldados sem cabeça com coração no pé descalço. gotas roséas nos olhos de cetim perfumado espírito de lebre morta pela raposa sem dentes para matar. luzes, luzes, velozes velozes caminhantes pela estradas sem letras plaquiticas no horizonte fumegante com amores odiosos sem chances grandes chances. só eles restaram para você meu bem, aceite e não reclame, solidão que te proclame o mais soberano de todos os servos servidores de agonias chatas pueris enfadonhas catástrofes pequenas nas riquezas absurdas alhures alguém vê. minhocas no asfalto azulejo brilhoso sujo vermes buritampos tangulares dentre as torres sem altura. piscou, errou, aaaaaahhhh!"
T.F.
T.F.
quinta-feira, 25 de março de 2010
segredo
"A vida é apenas segredo.
Não há muito que saber.
Ninguém precisa saber
o que contém teu segredo.
É só um dizer de menos,
um nada mostrar de teu,
pois no que mostras de teu
já o mostras pálido e menos.
(É só um não revelar
do enigma que jaz no fundo,
e nunca atingir o fundo
no esforço de revelar.)
A vida é coisa e segredo
para o teu pouco saber:
ser o bastante saber
que há vida, coisa e segredo."
Renato Suttana
Não há muito que saber.
Ninguém precisa saber
o que contém teu segredo.
É só um dizer de menos,
um nada mostrar de teu,
pois no que mostras de teu
já o mostras pálido e menos.
(É só um não revelar
do enigma que jaz no fundo,
e nunca atingir o fundo
no esforço de revelar.)
A vida é coisa e segredo
para o teu pouco saber:
ser o bastante saber
que há vida, coisa e segredo."
Renato Suttana
quarta-feira, 24 de março de 2010
linha reta de um poema ilusório: não-eu, palavras são só palavras
'As cores dos meus olhos são sempre as mesmas, assim como as cores que as mãos tocam. Sentem apenas a quentura e a frieza da matéria mundana, as mãos. Tive a impressão, tempo atrás, de algo oposto, diverso, mas como se fosse ainda através de olhos e mãos. Não se dava no espaço e no tempo (era imediato), eram cores e sons mudos, gritos sombrios, vultos sutis e vagarosos que apenas de olhos fechados e ouvidos sonolentos eu pude perceber. Coisa percebida. Talvez porque não apenas um ou dois sentidos estivessem em ação, mas todos ao mesmo tempo. Unidade da visão, audição, olfato, tato e paladar. Eis o pensamento. O gosto das idéias eu sentia sublime vermelho, ouvia a voz doce do amor, selvagem era o perfume insuperável, visão ofuscada pela energia infinítica do Sol, música anil da natureza.
Sinto.
O coração dispara, ouço o cheiro respirar ofegante em meu leito.
Mas a ciência ainda vai provar tudo, você vai ver.
Devo esquecer sentimento, pensamento e crença, são inúteis. Au revoir!dores catastróficas.
Estou vivo ainda."
T.F.
Sinto.
O coração dispara, ouço o cheiro respirar ofegante em meu leito.
Mas a ciência ainda vai provar tudo, você vai ver.
Devo esquecer sentimento, pensamento e crença, são inúteis. Au revoir!dores catastróficas.
Estou vivo ainda."
T.F.
sábado, 20 de março de 2010
um cidadão comum
"Sempre subindo a ladeira do nada,
Topar em pedras que nada revelam.
Levar às costas o fardo do ser
E ter certeza que não vai ser pago.
Sentir prazeres, dores, sentir medo,
Nada entender, querer saber tudo.
Cantar com voz bonita prá cachorro,
Não ver "PERIGO" e afundar no caos.
Fumar, beber, amar, dormir sem sono,
Observar as horas impiedosas
Que passam carregando um bom pedaço
da vida, sem dar satisfações.
Amar o amargo e sonhar com doçuras
Saber que retornar não é possível
Sentir que um dia vai sentir saudades
Da ladeira, do fardo, das pedradas.
Por fim, de um só salto,
Transpor de vez o paredão."
Torquato Neto
Topar em pedras que nada revelam.
Levar às costas o fardo do ser
E ter certeza que não vai ser pago.
Sentir prazeres, dores, sentir medo,
Nada entender, querer saber tudo.
Cantar com voz bonita prá cachorro,
Não ver "PERIGO" e afundar no caos.
Fumar, beber, amar, dormir sem sono,
Observar as horas impiedosas
Que passam carregando um bom pedaço
da vida, sem dar satisfações.
Amar o amargo e sonhar com doçuras
Saber que retornar não é possível
Sentir que um dia vai sentir saudades
Da ladeira, do fardo, das pedradas.
Por fim, de um só salto,
Transpor de vez o paredão."
Torquato Neto
terça-feira, 16 de março de 2010
oceano pacífico
‘Sou uma mente delirante e um coração acelerado, nada mais que recordações de noites passadas, amores perdidos achados, carinho com bêbados e líquidos ardentes. Pâncreas, costelas, minha boca, meus cabelos, esqueça todo este resto contingente, só preciso deles pra fome, sede, e sexo também é bom. O que importa é o eu coração, eu mente. Bêbado sinto meu coração, caminho por entre as vozes, os choros e as canções de todos os bares; eu gosto do feio também, encontro carinho. Queria braços mais compridos, assim poderia espalhar os pedaços arranhados e alegres de mim por todo o mundo, mas, no entanto, pensando bem, é melhor assim como está, isso me permite se aproximar: cheiro no pescoço, mão nos cabelos, bocas na nuca, dentes na carne, copos emprestados. Minhas pernas reclamam, um dia pensaram em parar e o coração, autoritário e teimoso que é, gritou, se enfureceu e acelerou mais ainda o meu sangue. Fervido fiquei na bebedeira, toda energia concentrada apenas num único ponto, eis uma bomba. Explodindo por todos os lados tenho vivido, invento novos idiomas, conheço o mundo, encontro sua verdadeira alma. A mente uso no outro dia, só pra se expressar, mas também dói, cansa-me demais. Ora coração, ora mente, sou eu. Perturbação constante que me imobiliza, porém inquieto fico a beira de abismos diários, os quais imagens em seguida nunca poderiam descrever de forma exata. Ai!o cinema. Nada, nada. A mente é imensa demais, a queda nestes abismos me dilacera a todo momento. Meu Deus!peço-lhe apenas uma pequena distração pra me salvar. Mas não. Nada basta. Apenas meu coração sofrido. Mar tempestuoso e calmo; ora negro, chuvoso, ora límpido, colorido, onde me sufoco sem morrer.’
T.F.
T.F.
sábado, 13 de março de 2010
na madrugada
que se equilibra
em precárias luzes
rumino em silêncio
uma dor que nem sei
ao certo aonde dói
(se na manchete dos jornais
ou na indiferença do teu beijo)
carrossel desgovernado
girando dentro de mim
sem me levar a lugar nenhum
remôo calado
desassossegos que me inquietam
(não sei se pelo galo que não canta
ou se pela palavra que não vem)
© Ademir Antonio Bacca
do livro: “Grito por dentro das palavras”
que se equilibra
em precárias luzes
rumino em silêncio
uma dor que nem sei
ao certo aonde dói
(se na manchete dos jornais
ou na indiferença do teu beijo)
carrossel desgovernado
girando dentro de mim
sem me levar a lugar nenhum
remôo calado
desassossegos que me inquietam
(não sei se pelo galo que não canta
ou se pela palavra que não vem)
© Ademir Antonio Bacca
do livro: “Grito por dentro das palavras”
sexta-feira, 5 de março de 2010
ritual
"Pra que sonhar
A vida é tão desconhecida e mágica
Que dorme às vezes do teu lado
Calada
Calada
Pra que buscar o paraíso
Se até o poeta fecha o livro
Sente o perfume de uma flor no lixo
E fuxica
Fuxica
Tantas histórias de um grande amor perdido
Terras perdidas, precipícios
Faz sacrifícios, imola mil virgens
Uma por uma, milhares de dias
Ao mesmo Deus que ensina a prazo
Ao mais esperto e ao mais otário
Que o amor na prática é sempre ao contrário
Que o amor na prática é sempre ao contrário
Ah, pra que chorar
A vida é bela e cruel, despida
Tão desprevenida e exata
Que um dia acaba"
Cazuza
A vida é tão desconhecida e mágica
Que dorme às vezes do teu lado
Calada
Calada
Pra que buscar o paraíso
Se até o poeta fecha o livro
Sente o perfume de uma flor no lixo
E fuxica
Fuxica
Tantas histórias de um grande amor perdido
Terras perdidas, precipícios
Faz sacrifícios, imola mil virgens
Uma por uma, milhares de dias
Ao mesmo Deus que ensina a prazo
Ao mais esperto e ao mais otário
Que o amor na prática é sempre ao contrário
Que o amor na prática é sempre ao contrário
Ah, pra que chorar
A vida é bela e cruel, despida
Tão desprevenida e exata
Que um dia acaba"
Cazuza
agora sim
"Hoje eu descobri
a minha mais nova verdade
e ela me dizia
que eu não fazia
carinho
desculpe, meu benzinho
agora eu sei
o que você quer
uma mão no cabelo
e outra com cigarro.
e me pede, se emudece,
depois eu nem tô notando
seu sorriso na cara,
sempre natural.
talvez seja respeito."
T.F.
a minha mais nova verdade
e ela me dizia
que eu não fazia
carinho
desculpe, meu benzinho
agora eu sei
o que você quer
uma mão no cabelo
e outra com cigarro.
e me pede, se emudece,
depois eu nem tô notando
seu sorriso na cara,
sempre natural.
talvez seja respeito."
T.F.
por que a gente é assim?
"Mais uma dose? É claro!
É claro que eu tô a fim
A noite nunca tem fim
Por que quê a gente é assim?
Agora fica comigo
E não, não
Não desgruda de mim
Vê se ao menos me engole
Não me mastigue assim...
Canibais de nós mesmos
Antes que a terra nos coma
Cem gramas, sem dramas
Por que quê a gente é assim?
Mais uma dose? É claro!
É claro que eu tô a fim
A noite nunca tem fim
Por que quê a gente é assim?
Você tem exatamente
Três mil horas
Prá parar de me beijar
Meu bem, você tem tudo
Tudo prá me conquistar...
Você tem apenas um segundo
Um segundo
Prá aprender a me amar
Você tem a vida inteira
Baby!
A vida inteira
Prá me devorar...
Agora fica comigo
E não, não
Não desgruda de mim
Vê se ao menos me engole
Não me mastigue assim...
Você tem exatamente
Três mil horas
Prá parar de me beijar
Meu bem, você tem tudo
Tudo prá me conquistar...
Você tem apenas um segundo
Um segundo
Prá aprender a me amar
Você tem a vida inteira
A vida inteira
Prá me devorar..."
Cazuza, Frejat, Ezequiel neves
É claro que eu tô a fim
A noite nunca tem fim
Por que quê a gente é assim?
Agora fica comigo
E não, não
Não desgruda de mim
Vê se ao menos me engole
Não me mastigue assim...
Canibais de nós mesmos
Antes que a terra nos coma
Cem gramas, sem dramas
Por que quê a gente é assim?
Mais uma dose? É claro!
É claro que eu tô a fim
A noite nunca tem fim
Por que quê a gente é assim?
Você tem exatamente
Três mil horas
Prá parar de me beijar
Meu bem, você tem tudo
Tudo prá me conquistar...
Você tem apenas um segundo
Um segundo
Prá aprender a me amar
Você tem a vida inteira
Baby!
A vida inteira
Prá me devorar...
Agora fica comigo
E não, não
Não desgruda de mim
Vê se ao menos me engole
Não me mastigue assim...
Você tem exatamente
Três mil horas
Prá parar de me beijar
Meu bem, você tem tudo
Tudo prá me conquistar...
Você tem apenas um segundo
Um segundo
Prá aprender a me amar
Você tem a vida inteira
A vida inteira
Prá me devorar..."
Cazuza, Frejat, Ezequiel neves
quinta-feira, 4 de março de 2010
terça-feira, 2 de março de 2010
Grito mudo
“Quantos nós ainda restam? Os sapos estão bem vivos, difíceis de engolir. Ânsia. Inquieto, numa constante busca pelo meu coração sofrido, estou. Na lata do lixo encontrei meu único espaço. Era pequeno demais. Com a fantasia me vesti, finjo.
Sede profunda que me ama.
Agora, mudo os planos do dia. Finjo sofrer. Danço, imito sempre. Vida pesada feita da mais densa das imatérias.
Ah os inventores! Seus universais. Eu descubro, percebo. Percebo cinco dimensões, e minha dor é a crença de haver três. És jumento. Puxo com cordas de sangue o peso de rochas antigas. Vida, compaixão, compaixão. As rochas alheias são leves, de mentira. É mais fácil carregá-las. Amar é pouco. Minha doença são o mar e o céu, o sol e a lua, o universo íntimo. Sou poeta como um leproso. Poesia e lepra, irmãs. Lento meu relógio. Múltiplo demais o mundo. Não basta se calar. O cérebro é quem escreve! Quero apenas patas, pêlos, ouvidos, um grunhido pequeno. Água e pão. As grades que me prendem, onde estão? Condenado! Não há céu ou inferno antes ou depois. Existem, estão. Gritos mudos. Incômodo sutil. Antes não ser, morte não!
Fuga, fuga. Sim não-morrer, não viver. Não-morrer: altura de meu abismo.
Pedaços de coração pelo caminho, mas já me perdi por suas marcas, são tantas. Cruzam-se, formam novelos de linha infinitos. O poço de lágrimas ficou vazio. Sede, sede, sede. Onde buscar água? Ar pesado, pulmões explorados. Visão confusa. Sintomas de poesia maldita. És ingrata, cruel! Sou a planta que a lagarta come. Anjo castigado. Pecados muito caros, ninguém os compra. Piedade inimigos! Mar sem fim que me aflige, estou afogado sem morte. Bestas cruéis, insetos roedores. Pequenos parasitas que não me acabam. Oh! tempestades, galopes selvagens.
Amanhã fará sol e estou calmo.”
T.F.
Sede profunda que me ama.
Agora, mudo os planos do dia. Finjo sofrer. Danço, imito sempre. Vida pesada feita da mais densa das imatérias.
Ah os inventores! Seus universais. Eu descubro, percebo. Percebo cinco dimensões, e minha dor é a crença de haver três. És jumento. Puxo com cordas de sangue o peso de rochas antigas. Vida, compaixão, compaixão. As rochas alheias são leves, de mentira. É mais fácil carregá-las. Amar é pouco. Minha doença são o mar e o céu, o sol e a lua, o universo íntimo. Sou poeta como um leproso. Poesia e lepra, irmãs. Lento meu relógio. Múltiplo demais o mundo. Não basta se calar. O cérebro é quem escreve! Quero apenas patas, pêlos, ouvidos, um grunhido pequeno. Água e pão. As grades que me prendem, onde estão? Condenado! Não há céu ou inferno antes ou depois. Existem, estão. Gritos mudos. Incômodo sutil. Antes não ser, morte não!
Fuga, fuga. Sim não-morrer, não viver. Não-morrer: altura de meu abismo.
Pedaços de coração pelo caminho, mas já me perdi por suas marcas, são tantas. Cruzam-se, formam novelos de linha infinitos. O poço de lágrimas ficou vazio. Sede, sede, sede. Onde buscar água? Ar pesado, pulmões explorados. Visão confusa. Sintomas de poesia maldita. És ingrata, cruel! Sou a planta que a lagarta come. Anjo castigado. Pecados muito caros, ninguém os compra. Piedade inimigos! Mar sem fim que me aflige, estou afogado sem morte. Bestas cruéis, insetos roedores. Pequenos parasitas que não me acabam. Oh! tempestades, galopes selvagens.
Amanhã fará sol e estou calmo.”
T.F.
Sou espetáculo do circo
“O leão na jaula maltratado
Espera pelo fim calado,
Magro, jovem,
Ao inimigo foi entregue,
Sua maldição é não saber.
Grite, urre,
Encrave os dentes na carne impune.
Venderam sua selva,
Plantaram cruéis troncos de ferro.”
T.F.
Espera pelo fim calado,
Magro, jovem,
Ao inimigo foi entregue,
Sua maldição é não saber.
Grite, urre,
Encrave os dentes na carne impune.
Venderam sua selva,
Plantaram cruéis troncos de ferro.”
T.F.
Quando não mais cifras e figuras...
“Quando não mais cifras e figuras
Forem as chaves das criaturas,
E os que vivem de sons e de amores
Mais entenderem do que os doutores,
Quando este mundo se der à vida,
E nós a sua imagem mais querida,
Quando de novo as trevas e o claro
Parirem tal dia assim tão raro
E o homem com cantos, poesias,
Reouver no mundo a vera via,
Bastará um sussurro, um só segredo:
E o mundo sairá de seu degredo.”
Novalis
Forem as chaves das criaturas,
E os que vivem de sons e de amores
Mais entenderem do que os doutores,
Quando este mundo se der à vida,
E nós a sua imagem mais querida,
Quando de novo as trevas e o claro
Parirem tal dia assim tão raro
E o homem com cantos, poesias,
Reouver no mundo a vera via,
Bastará um sussurro, um só segredo:
E o mundo sairá de seu degredo.”
Novalis
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Jovem
"Jovem, bicho revoltado
Mamãe roubou suas revistas
De sacanagem
Jovem, papai tá ocupado
Não é só você
Que come a empregada
Jovem, você tá muito avançado
Seus amigos desconfiam
Que você é veado
Antigamente era mais fácil
Ser a grande novidade
Você vai ser alistado pela faculdade
Jovem, não vai chegar tarde
A sociedade está pronta pra ligar o alarme
Jovem, seu primeiro amor
Acabou de repente no elevador
Jovem, você também votou errado
Porque não viu que o futuro
Às vezes repete o passado
E o mundo inteiro parece escapar
Entre os seus erros
Lavando a cara de manhã
Pergunta pro espelho
Afinal, quem é você
Jovem, a grande novidade
Jovem"
Cazuza
Mamãe roubou suas revistas
De sacanagem
Jovem, papai tá ocupado
Não é só você
Que come a empregada
Jovem, você tá muito avançado
Seus amigos desconfiam
Que você é veado
Antigamente era mais fácil
Ser a grande novidade
Você vai ser alistado pela faculdade
Jovem, não vai chegar tarde
A sociedade está pronta pra ligar o alarme
Jovem, seu primeiro amor
Acabou de repente no elevador
Jovem, você também votou errado
Porque não viu que o futuro
Às vezes repete o passado
E o mundo inteiro parece escapar
Entre os seus erros
Lavando a cara de manhã
Pergunta pro espelho
Afinal, quem é você
Jovem, a grande novidade
Jovem"
Cazuza
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
apenas um breve encontro de olhares. eu não-eu
‘Mergulhei no vácuo poço do prazer que se encontrava metafísico no espaço que nos dividia. Olhei-me na sua vontade espontânea; minha imagem era selvagem; deixava transparecer a luminosidade de chamas enérgicas acumuladas do fundo do vulcão, como se a lava de outras faculdades tivesse transmigrado para uma só. O espelho, vulnerável, era brando e límpido. A toda reação de meu corpo, uma tempestade transparente se formava ante mim. Minha mão serviu como pedra para desmanchar toda a aparente calma do líquido espelho; as chamas que uma vez o moldaram, como fogo em palha seca eu as reascendi. Minha pele era fogo espesso, e os galhos no caminho ficaram. ‘
T.F.
T.F.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
sorriso interior
" O ser que é ser e que jamais vacila
Nas guerras imortais entra sem susto,
Leva consigo este brasão augusto
Do grande amor, da grande fé tranqüila.
Os abismos carnais da triste argila
Ele os vence sem ânsias e sem custo...
Fica sereno, num sorriso justo,
Enquanto tudo em derredor oscila.
Ondas interiores de grandeza
Dão-lhe esta glória em frente à Natureza,
Esse esplendor, todo esse largo eflúvio.
O ser que é ser transforma tudo em flores...
E para ironizar as próprias dores
Canta por entre as águas do Dilúvio!"
Cruz e Souza
Nas guerras imortais entra sem susto,
Leva consigo este brasão augusto
Do grande amor, da grande fé tranqüila.
Os abismos carnais da triste argila
Ele os vence sem ânsias e sem custo...
Fica sereno, num sorriso justo,
Enquanto tudo em derredor oscila.
Ondas interiores de grandeza
Dão-lhe esta glória em frente à Natureza,
Esse esplendor, todo esse largo eflúvio.
O ser que é ser transforma tudo em flores...
E para ironizar as próprias dores
Canta por entre as águas do Dilúvio!"
Cruz e Souza
meu anjo
"Meu anjo tem o encanto, a maravilha,
Da espontânea canção dos passarinhos;
Tem os seios tão alvos, tão macios
Como o pêlo sedoso dos arminhos.
Triste de noite na janela a vejo
E de seus lábios o gemido escuto.
É leve a criatura vaporosa
Como a froixa fumaça de um charuto.
Parece até que sobre a fronte angélica
Um anjo lhe depôs coroa e nimbo...
Formosa a vejo assim entre meus sonhos
Mais bela no vapor do meu cachimbo.
como o vinho espanhol, um beijo dela
Entorna ao sangue a luz do paraíso.
Dá morte num desdém, num beijo vida,
E celestes desmaios num sorriso!
Mas quis a minha sina que seu peito
Não batesse por mim nem um minuto,
E que ela fosse leviana e bela
Como a leve fumaça de um charuto!"
Álvares de Azevedo
Da espontânea canção dos passarinhos;
Tem os seios tão alvos, tão macios
Como o pêlo sedoso dos arminhos.
Triste de noite na janela a vejo
E de seus lábios o gemido escuto.
É leve a criatura vaporosa
Como a froixa fumaça de um charuto.
Parece até que sobre a fronte angélica
Um anjo lhe depôs coroa e nimbo...
Formosa a vejo assim entre meus sonhos
Mais bela no vapor do meu cachimbo.
como o vinho espanhol, um beijo dela
Entorna ao sangue a luz do paraíso.
Dá morte num desdém, num beijo vida,
E celestes desmaios num sorriso!
Mas quis a minha sina que seu peito
Não batesse por mim nem um minuto,
E que ela fosse leviana e bela
Como a leve fumaça de um charuto!"
Álvares de Azevedo
por que mentias?
"Por que mentias leviana e bela?
Se minha face pálida sentias
Queimada pela febre, e minha vida
Tu vias desmaiar, por que mentias?
Acordei da ilusão, a sós morrendo
Sinto na mocidade as agonias.
Por tua causa desespero e morro...
Leviana sem dó, por que mentias?
Sabe Deus se te amei! Sabem as noites
Essa dor que alentei, que tu nutrias!
Sabe esse pobre coração que treme
Que a esperança perdeu por que mentias!
Vê minha palidez - a febre lenta
Esse fogo das pálpebras sombrias...
Pousa a mão no meu peito!
Eu morro! Eu morro!
Leviana sem dó, por que mentias?"
Álvares de Azevedo
Se minha face pálida sentias
Queimada pela febre, e minha vida
Tu vias desmaiar, por que mentias?
Acordei da ilusão, a sós morrendo
Sinto na mocidade as agonias.
Por tua causa desespero e morro...
Leviana sem dó, por que mentias?
Sabe Deus se te amei! Sabem as noites
Essa dor que alentei, que tu nutrias!
Sabe esse pobre coração que treme
Que a esperança perdeu por que mentias!
Vê minha palidez - a febre lenta
Esse fogo das pálpebras sombrias...
Pousa a mão no meu peito!
Eu morro! Eu morro!
Leviana sem dó, por que mentias?"
Álvares de Azevedo
o ébrio
"Bebi! Mas sei por que bebi!... Buscava
Em verdes nuanças de miragens, ver
Se nesta ânsia suprema de beber,
Achava a Glória que ninguém achava!
E todo o dia então eu me embriagava
- Novo Sileno, - em busca de ascender
A essa Babel fictícia do Prazer
Que procuravam e que eu procurava.
Trás de mim, na atra estrada que trilhei,
Quantos também, quantos também deixei,
Mas eu não contarei nunca a ninguém.
A ninguém nunca eu contarei a história
Dos que, como eu, foram buscar a Glória
E que, como eu, irão morrer também."
Augusto dos Anjos
Em verdes nuanças de miragens, ver
Se nesta ânsia suprema de beber,
Achava a Glória que ninguém achava!
E todo o dia então eu me embriagava
- Novo Sileno, - em busca de ascender
A essa Babel fictícia do Prazer
Que procuravam e que eu procurava.
Trás de mim, na atra estrada que trilhei,
Quantos também, quantos também deixei,
Mas eu não contarei nunca a ninguém.
A ninguém nunca eu contarei a história
Dos que, como eu, foram buscar a Glória
E que, como eu, irão morrer também."
Augusto dos Anjos
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
BASTA!
Tá faltando imaginação. Cadê a imaginação? Imagem mais ação. Imaginação. Não, não, é imagem e ação, não, não, também não é isso. É imagem com ação. Mas ação não corpórea, ação auto-produtora absoluta, que se cria ao mesmo tempo que foi vivida e que se cria porque antes foi vivida, e observada, guardada foi na memória, daí a gente imagina tudo, porque viveu um pouco tudo o que imagina. São associações de idéias criadas na memória, idéias ocasionadas pela vivência, e que se mesclam, a gente mescla, imagina, e sonha, e consegue amar melhor com isso. Pronto. Morri de tanto imaginar que eu não conseguia imaginar nada.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
““ Por quem foi que me trocaram
Quando estava a olhar pra ti?
Pousa a tua mão na minha
E, sem me olhares, sorri
Sorri do teu pensamento
Porque eu só quero pensar
Que é de mim que ele está feito
E que o tens para mo dar
Depois aperta-me a mão
E vira os olhos a mim...
Por quem foi que me trocaram
Quando estás a olhar-me assim? ”
Fernando Pessoa
Quando estava a olhar pra ti?
Pousa a tua mão na minha
E, sem me olhares, sorri
Sorri do teu pensamento
Porque eu só quero pensar
Que é de mim que ele está feito
E que o tens para mo dar
Depois aperta-me a mão
E vira os olhos a mim...
Por quem foi que me trocaram
Quando estás a olhar-me assim? ”
Fernando Pessoa
novos céus
‘sozinho fiquei de novo,
a olhar as estrelas
que se cruzam no céu de meu pensamento,
nada me distrai destas estrelas
os seus traçados têm brilho repentino,
e dão lugar a outras estrelas
será também outro céu?
O universo que são as pessoas
Me atrai para pensar aonde vão,
Quais serão as estrelas que brilharão em seu céu?’
T.F.
a olhar as estrelas
que se cruzam no céu de meu pensamento,
nada me distrai destas estrelas
os seus traçados têm brilho repentino,
e dão lugar a outras estrelas
será também outro céu?
O universo que são as pessoas
Me atrai para pensar aonde vão,
Quais serão as estrelas que brilharão em seu céu?’
T.F.
sem nada
‘nada mais a escrever,
quero calma e paz, apenas ver.
E esse mesmo desejo é o que me entristece,
Porque eu sei que é disso que vou escrever.’
T.F.
quero calma e paz, apenas ver.
E esse mesmo desejo é o que me entristece,
Porque eu sei que é disso que vou escrever.’
T.F.
quando penso
‘quando penso
abro bem os olhos e vejo as cores que pintam o infinito,
olho para nada e para tudo ao mesmo tempo,
e sei que vejo, ouço
essa coisa que não existe,
que passa como fantasmas pela mente,
que me distraem e me fazem esquecer do sono,
minha atenção se volta apenas para cada minúsculo ponto de lembranças enterradas,
É tão rápido!
então o tempo deixa de ser importante,
De tão repentina que me vem,
E logo some, cruza meu céu
Estrelas cadentes que inspiram
idéias cor de mel’
T.F.
abro bem os olhos e vejo as cores que pintam o infinito,
olho para nada e para tudo ao mesmo tempo,
e sei que vejo, ouço
essa coisa que não existe,
que passa como fantasmas pela mente,
que me distraem e me fazem esquecer do sono,
minha atenção se volta apenas para cada minúsculo ponto de lembranças enterradas,
É tão rápido!
então o tempo deixa de ser importante,
De tão repentina que me vem,
E logo some, cruza meu céu
Estrelas cadentes que inspiram
idéias cor de mel’
T.F.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
choro da solidão
'Nada choveu
no meu coração esta noite,
nenhuma gota de amor
pra me calar a tristeza.
Você não veio
com seus beijos me agradar.
Queria tua voz, menina,
como chuva na janela a cantar.'
T.F.
no meu coração esta noite,
nenhuma gota de amor
pra me calar a tristeza.
Você não veio
com seus beijos me agradar.
Queria tua voz, menina,
como chuva na janela a cantar.'
T.F.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
risco por isso
'Insônia, solidão e loucura,
Estas longas noites que me partem ao meio.
Com um riso forçado,
tento me livrar dessa mistura.
O nada de hoje compensa o tudo de ontem.
Exagerar para depois ficar esgotado.
Me recupero pela tristeza.
Outra alegre bebedeira não dá.
E o vagabundo sou eu,
que no mal e no bem,
se dilacera sem julgar
os caminhos que a vida me traz.
É, eu só quero andar,
sem saber aonde vai dar
os trilhos dessa vida vadia'.
T.F.
Estas longas noites que me partem ao meio.
Com um riso forçado,
tento me livrar dessa mistura.
O nada de hoje compensa o tudo de ontem.
Exagerar para depois ficar esgotado.
Me recupero pela tristeza.
Outra alegre bebedeira não dá.
E o vagabundo sou eu,
que no mal e no bem,
se dilacera sem julgar
os caminhos que a vida me traz.
É, eu só quero andar,
sem saber aonde vai dar
os trilhos dessa vida vadia'.
T.F.
bela flor
'Deixe de novo eu me vestir com tua pele
Cubra meu corpo com teu líquido lascivo
Enxugue teu suor com minha língua
E deixe que a saliva alimente tua chama'.
T.F.
Cubra meu corpo com teu líquido lascivo
Enxugue teu suor com minha língua
E deixe que a saliva alimente tua chama'.
T.F.
domingo, 17 de janeiro de 2010
aviso importante
'a autoria de tudo o que será expresso aqui é do mundo; o mundo da pirataria de meu próprio ser; cópias escritas de furacões revoltados de uma mente galopante."
de onde veio isso? hahaha...
bom, galera, to começando, o blog foi criado para divulgação de trabalho escrito poético. alguém um dia chamou este trabalho de lixoesias; outra pessoa, além de mim mesmo, ouviu o mesmo comentário; espero que esta mesma pessoa visite este site e se lembre deste dia; eu te amo querida.
baah, chega...
de onde veio isso? hahaha...
bom, galera, to começando, o blog foi criado para divulgação de trabalho escrito poético. alguém um dia chamou este trabalho de lixoesias; outra pessoa, além de mim mesmo, ouviu o mesmo comentário; espero que esta mesma pessoa visite este site e se lembre deste dia; eu te amo querida.
baah, chega...
amor
'O toque dos lábios sucede
O breve olhar tácito e sacana
Que se desfiguraria à menor palavra dita.
Basta apenas o beijo quente.
O encontro entre as almas no olhar
Deve apenas anteceder o primeiro instante do supremo ato
As bocas se deslocam,
Procuram outras, noutros cantos,
Cantos quentes que nada dizem,
Apenas respondem ao lento e suave toque da grande pele
Pele suada resfriada e despida
Pele forrada de morais roupas que a conservam,
E que logo se entrega ao profundo olhar,
Aos olhos que dizem sem palavras
Que mostram,e só mostram
O que todo corpo deseja e quer.'
T.F.
O breve olhar tácito e sacana
Que se desfiguraria à menor palavra dita.
Basta apenas o beijo quente.
O encontro entre as almas no olhar
Deve apenas anteceder o primeiro instante do supremo ato
As bocas se deslocam,
Procuram outras, noutros cantos,
Cantos quentes que nada dizem,
Apenas respondem ao lento e suave toque da grande pele
Pele suada resfriada e despida
Pele forrada de morais roupas que a conservam,
E que logo se entrega ao profundo olhar,
Aos olhos que dizem sem palavras
Que mostram,e só mostram
O que todo corpo deseja e quer.'
T.F.
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