quinta-feira, 16 de agosto de 2012

a tela, o livro, o homem


"Da capa do Finnegans sobre a mesa
Joyce o observava com seus óculos anelados
tocando punheta com a mão esquerda
enquanto na tela a enfermeira gemia
sentada sobre um pau
prestes a explodir"

T.F.

pronto final



"gritou
falou
escreveu
e ficou lá
parado
depois
esqueceu"



poema simples pra ela


"quando eu encontrar meu amor nos braços
não quero que diga nada
só quero que sorria"

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

eu: eco do mundo



"olá. eu sou o mundo. como vai?
espero que seja bem recebido, caro jovem,
em mim, encontrarás a felicidade,
em mim encontrarás o trabalho, o dinheiro e o próspero futuro,
se você me obedecer, prometo que serás rico.

qual a sua cara, mundo? não consigo ver...
o mundo: apenas me ouça e espere na fila para ver.

depois que o mundo veio me falar
dores pelo corpo violentaram-me,
senti medo e desejei não mais sair de casa
eu era espremido por todos os lados
e que difícil foi duvidar do mundo,
enfrentar o mundo,
as palavras que o mundo diz não são apenas escritas ou sonoras,
elas pairam no ar, tornam-se concretas,
as paredes são feitas de palavras que o mundo diz
e torna-se difícil então conversar com o mundo
tanto é que parece ser até mesmo eu uma palavra do mundo"



T.F.

sábado, 11 de agosto de 2012

boa essa




"existe uma espécie de assombro cético em qualquer silêncio,
silêncio
silêncio
silêncio
isso.. psiu! você vê o ceticismo?
sim, a paranóia nossa de cada  nos dai hoje um pouco de desespero.
é como olhar no espelho e não se reconhecer,
não lembrar o próprio nome e perguntar o que se faz ali...
despejados, esquecidos no mundo estamos...
humanos humanos e só...
como falar a mesma palavra igual?
como? falo A... A... A...
IGUAL. IGUAL. IGUAL.
a paciência se descobre como a mais perfeita virtude,
o tempo passa outra paranóia vem e aquela vai embora,
comida temos, bebida arrumamos,
e piadas,
KKKKKKKKKKKKKK!!"



o que vcs prefrem: T.F. ou Patávalo?

"mais uma vez por mim tu hás de chorar.
oh mãe!, esposa e homem.
pelo filho, marido e o espírito santo desta terra,
mais uma vez por mim hão de chorar,
sobre os ombros da madrugada,
sobre as estranhas fantasias do sonho,
nos lamentos pelos cantos,
nas lembranças dos sorrisos,
mais uma vez por mim hão de chorar:

oh morte! oh morte! "

domingo, 5 de agosto de 2012

era do pornô



"sou fã de Alexis Texas e seus gemidos,
estudo a disposição dos corpos curtos num espaço e  tempo definidos
pelo soar das notas vibradas de um violão,
movimentos repetidos,
volume alto, baixo,
visão, ouvidos, olfato.
Marilyn Monroe, John Kennedy,
mortos, todos eles,
e alguma coisa ainda sobrou.
abundância pobre.
nós somos comunistas e não sabemos,
capitalistas e não sabemos,
não, eu não gosto dos poetas novos.
mas quem você já leu? quem?
nós temos acesso a tantas coisas,
mas não sabemos nada.
quando vamos reaprender a verdadeira cultura,
quando recuperaremos aquela velha e antiga dignidade de séculos passados,
ouvimos algo morto e sentimos saudade, já reparaste?
as rimas eram ricas,
hoje pobres? não... hoje banais, esdruxúlas,
mas ainda sabemos algumas palavras bonitas,
de vez em quando utilizamos aquele tom solene que nos traz o passado à lembrança,.
verdadeiramente não se fala de poesia, não se pode falar,
não coloque dor num poema.
fale de dragões, fale de cores vindas do fundo do mar,
fale da serpente comilona de abutres, javalis, ovelhas,
fale das trovoadas dos dias de chuva,
alma? você já falou de alma alguma vez?
renda-se então, olhe o mundo...
vê alma nele? nem pra um cego...
apenas pare... elimine todas as certezas,
elas são palavras, são estórias, fábulas...
que se faça uma fábula decente, enigmática,

permito-me uma interferência agora.
existem cães, existem bebês,
exitem pessoas dotadas de razão e bom-senso que vêem na comilança de carne algo de inescrupuloso.
existiam índios, existiam árvores, existiam palácios e pedras preciosas,
foram fabricados carros, máquinas a vapor, inventou-se a lâmpada,
e descobriram que a água poderia um dia acabar,
alguns passaram fome, outros foram degolados, outros nus,
outros presidentes, generais, verdadeiros líderes do como-viver-bem,
sepulturas foram feitas, sacrifícios, crianças navegaram pelos mares,
fabricamos inseticidas, carrapaticidas, a morte sempre perto.
alma? alma? alma?
o lápis-lazuli os químicos identificaram,
sua cor chamava a atenção,
um adolescente vestibulando no Brasil agora estuda a tabela periódica e descobre os elementos descobertos por um russo,
enquanto outro lê uma tradução de um romancista,
Pais e Filhos, Memórias, a Morte...
gente vinda do norte ganha a vida construindo hospitais e escolas no Sul que seus filhos nunca vão ver...
gastam horas, fazem piadas,
enquanto a chuva não vem as marretas, os pregos e os concretos harmonizam-se pelo progresso da nação...
Brasil, Brasil, um país de todos.
Tratemos de torcer pela seleção dos melhores, pelos representantes desta imensa nação feliz,
enquanto isso o rádio toca:"



T.F.



sábado, 4 de agosto de 2012

enquanto a porra do mundo não acaba...

ou enquanto houver porra. dois nomes para o poema


"A portinha do meu quarto
quebrou a maçaneta,
mamãe têve um infarto
me pegou na punheta."


Patávalo

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

não isso não é um poema, só um texto foi considerado não-literário




"  HOJE A VIIIIIDAA DISSE ASSSSIIM:

    GRITE ALTO PARA MIM".



t.f.