‘Sou uma mente delirante e um coração acelerado, nada mais que recordações de noites passadas, amores perdidos achados, carinho com bêbados e líquidos ardentes. Pâncreas, costelas, minha boca, meus cabelos, esqueça todo este resto contingente, só preciso deles pra fome, sede, e sexo também é bom. O que importa é o eu coração, eu mente. Bêbado sinto meu coração, caminho por entre as vozes, os choros e as canções de todos os bares; eu gosto do feio também, encontro carinho. Queria braços mais compridos, assim poderia espalhar os pedaços arranhados e alegres de mim por todo o mundo, mas, no entanto, pensando bem, é melhor assim como está, isso me permite se aproximar: cheiro no pescoço, mão nos cabelos, bocas na nuca, dentes na carne, copos emprestados. Minhas pernas reclamam, um dia pensaram em parar e o coração, autoritário e teimoso que é, gritou, se enfureceu e acelerou mais ainda o meu sangue. Fervido fiquei na bebedeira, toda energia concentrada apenas num único ponto, eis uma bomba. Explodindo por todos os lados tenho vivido, invento novos idiomas, conheço o mundo, encontro sua verdadeira alma. A mente uso no outro dia, só pra se expressar, mas também dói, cansa-me demais. Ora coração, ora mente, sou eu. Perturbação constante que me imobiliza, porém inquieto fico a beira de abismos diários, os quais imagens em seguida nunca poderiam descrever de forma exata. Ai!o cinema. Nada, nada. A mente é imensa demais, a queda nestes abismos me dilacera a todo momento. Meu Deus!peço-lhe apenas uma pequena distração pra me salvar. Mas não. Nada basta. Apenas meu coração sofrido. Mar tempestuoso e calmo; ora negro, chuvoso, ora límpido, colorido, onde me sufoco sem morrer.’
T.F.
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me fez chorar seu tolo!
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