Seu sorriso esvaía-se no que ele andava, uma pesada nuvem encobrindo o sol lentamente, sombreando a rude fachada do Trinity. Bondes passavam uns após outros, indo, vindo, retinindo. Palavras inúteis. As coisas continuam as mesmas; dia após dia: pelotões de polícia marchando para diante, para trás; bondes indo, vindo. Aqueles dois aluados acuados por aí. Dignam acarretado. Mina Purefoy barriga inchada num leito ganindo para ter um filho arrancado de dentro dela. Um nascido a cada segundo algures. Outro morrendo a cada segundo. Desde que dei de comer às aves faz cinco minutos. Trezentos bateram com o cu na cerca. Outros trezentos nascidos, relavados do sangue, todos são lavados no sangue do anho, mugindo maaaaaa.
Uma cidadada trespassando , outra cidadada chegando, trespassando também: outra chegando, trespassando. Casas, filas de casas, ruas, milhas de pavimentos, tijolos amontoados, pedras. Mudando de mãos. Este dono, aquele. O proprietário não morre nunca, dizque. Um mete-se no sapato do outro quando este recebe a ordem de deixar. Compram o sítio com ouro e ainda assim têm o ouro todo. Falcatrua nisso em algum ponto. Empilhados em cidades, gastados geração após geração. Pirâmides sobre a areia. Construídos de pâo e de cebolas. Escravos. Muralha da China. Babilônia. Pedras grandes deixadas. Torres redondas. O resto, entulho, subúrbios escarrapachados, assopapados, casas-cogumelos de Kervan, construídas de vento. Refúgio da noite.
Ulisses, J. Joyce. Civilização Brasileira, tradução: Antônio Houaiss, p-186
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