quinta-feira, 26 de julho de 2012
a estranha piscina de palavras
"Olá, sou um corpo imóvel, ao meu redor livros, páginas deles arrancadas, que ninguém mais os entende, alguns inteiros, parei de contá-los no 48834689345680459 e é isso ao meu redor esse número de livros me prende. Nado entre eles, o tempo que estou aqui? não sei, não me lembro e pouco importa, sei que eles se movem, suas letras começam a imprimir-se já em meu corpo, não sinto fome, sede, vontade de ir ao banheiro. Sei que estou num quarto e há essa quantidade terrível de livros que ninguém os entende, começo a lê-los e já pulo para outro, outra página, outra palavra, outro enredo, começo a perceber que já me esqueci de meu idioma natural, e falo outro, uma espécie de mistura de todas as letras, falo a língua e as letras que se imprimem em meu corpo. Sei que posso nadar por entre eles, que língua estranha será essa? As frases de um se intercalam com as de outro, as letras sobrepostas uma em cima das outras. Estou nu e todo meu corpo desenhado por letras, as mais diversas dos mais diversos assuntos. Sinto enjôo e busco uma saída, uma porta que dê pra rua, preciso vomitar, preciso de ar. Nado, nado, nado. Nesse caminho encontro as mais diversas brochuras, capas, edições raras, títulos novos, estudos avançados, coisas que não querem dizer nada, que não me esclarecem; preciso apenas de ar, ar. Pronto, consigo. E como já disse, preciso de ar urgentemente. Saio como estive, cheio de palavras impressas no próprio corpo. Na rua, as pessoas me olham de jeito estranho, procurando se afastar. Tento buscar informação, mas elas sinalizam não entender o que falo. O que é isso, me pergunto, estou louco? Continuo caminhando. Ao meu redor pessoas vestidas ordinariamente, cartazes com preços, greves, obras, carros rasgando o sinal, cores, cores, vermelho, verde e amarelo bem derterminados, possuem formas, utilidades. O céu lá em cima abrindo suas pernas para a luz do sol entrar, cruelmente queimando minha retina. Páro sob uma árvore e percebo que a tinta das letras do meu corpo começam a desfigurar-se, derreter, escorrendo, não mais mostrando as palavras do meu novo idioma estranho."
T.F.
sábado, 21 de julho de 2012
terça-feira, 17 de julho de 2012
três
"hoje já perdi um quilo e meio de poesia sem inspiração,
pergunto-me ainda: quantas vezes cantar o hino da solidão?
quantos segredos guardar na palma da minha mão?
tu, desnudas poesia, tu, despidas poesia, tu dá pra mim poesia,
dá aquilo da puta,
dá a tristeza descolorida,
dá na mão vida,
dá por si só, morte,
morte, tresquecida!"
T.F.
segunda-feira, 16 de julho de 2012
"Imploro,
esqueça de si, esqueça!
Esqueça suas letras,
esqueça suas ambições,
essa vontade tola de tornar-se vivo, presente,
essa vontade de expulsar o tédio, esqueça,
tu não tem nem classe para isso, tu és humano, tu és divino,
e isso são palavras, PALAVRAS eu grito,
música alguma é ouvida,
surdo tu te tornaste para o mundo,
esqueça de si, esqueça..."
T.F.
"se até morrer
ela faria por mim
por que matá-la?
se até morrer
ela faria por mim,
matá-la sim,
por último desejo meu
que não tem fim,
se até morrer é desejo seu,
vou matá-la
e também matar-me.
pois se até morrer ela faria por mim
encontra-la-ei naquele Fim,
pois se até morrendo, ela morre por mim,
morro por ela, tão triste assim."
T.F.
curioso isso de viver
"O ruído do ponteiro do relógio,
o estalar das gotas de água que caem do chuveiro,
o som cheiroso do farejar de um cão na meia suja,
isso compreende o que vejo,
neste exato momento, também é fácil esquecer de mim mesmo
e imaginar muitas outras coisas acontecendo,
os objetos em movimento são tantos,
aqueles que buscam, que causam, também são tantos,
sei apenas onde estou, minha única certeza:
onde estou...
por preguiça estou...
ah! a noite e tudo o que ela abriga...
amanhã? novo dia... claro, frio, um inverno cheio de ventos,
mas, sempre claro, sim, sempre claro...
tudo tão claro e obscuro num curto espaço de tempo...
difícil explicar!
porém, ora vá! o cão ao meu lado de pêlos brancos e negros
guarda um doce olhar,
que se desvia a qualquer ruído,
curioso!"
T.F.
sábado, 14 de julho de 2012
o moço que não falava russo
"à moça do nome de cantora
que me pareceste russa certa vez,
guardo beijos, abraços, olhares apaixonados
de quem nunca tivera amado antes,
guardo saudade,
noites delirantes,
guardo a boca desmanchada em riso
e um leve desespero triunfante,
guardo em sonhos a viagem,
palavras de um infante."
T.F.
a josé paulo paes
"POR QUÊ? EU ME PERGUNTO... POR QUÊ?
por que TU foste morrer?
tu que aos meus olhos tuas palavras fizeram nascer lágrimas,
tu que em noites de insônia sozinho me abrigaste no peito com histórias,
tu que parecias eterno, que traduziste tão claro o meu próprio sentir,
logo tu que mostraste tão vivo com teus livros,
logo tu foste morrer, antes d'eu te conhecer."
t.f.
historinha
"Júlio César namorava Carina há oito anos. Foi que um dia ao chegar em casa encontrou-a com outro na cama. Desesperou-se. Jamais esperava aquilo da namorada. A fúria foi tanta que esfaqueou os dois."
T.F.
crônica urbana
"Mr. W. estava dirigindo o seu carro pela White River Avenue na altura da Company Rotisserie quando seu carro desviou-se de seu correto percurso atingindo uma criança subindo pela calçada. Ele estava em alto nível de embriaguez, após o atropelamento fugiu sem prestar socorros à vítima. A menina tinha quatro anos de idade, a morte instantânea, Mr. W. naquele dia dormiu tranquilo, desconhecia ainda o tamanho da tragédia. Sete anos se passaram, o julgamento ainda corre, os pais da garota, pobres, a Justiça à espera de ser feita. - "Assassino!" - inflamam alguns. - "Pessoa íntegra, correta, bom homem..." - conhecidos defendem. Indenizações foram pagas à família da vítima nesse meio tempo. O homem, diz-se, está vivo, os olhos acusam a culpa."
T.F.
terça-feira, 10 de julho de 2012
a literatura e o açougue de um interior paulista desconhecido e esquecido
kafta me lembra kafka. não sei porque mas nós temos uma tendência a comparações. peço que por um momento, com muito esforço, tentem esquecer este quase instinto que compara, associa; nada tem a ver com nada. a costela que você come hoje é diferente da que comerá amanhã. as letras do mesmo livro serão diferentes lidas novamente. vamos fazer o favor de esquecer....
chega né.. já se falou demias disso, vamos brincar um pouco.
não me lembro da metade anterior do ditado, mas a segunda metade era assim: "poeta pensa em tudo, eu só penso em voceis, não quero ser poeta..."
vi na parede de um bar há uns 15 minutos atrás. o ditado era acompanhado por outros que diziam coisas sobre deus, sobre solidariedade, sobre saúde e dinheiro, sobre prosperidade, essas coisas. tomei um conhaque. desceu rasgando e me esforcei pra fazer cara de que não sentia nenhum amargor na garganta. o sacrífico foi benévolo, suave bebedeira se apoderou de mim. no caminho de volta pra casa, cruzo com uma mulher, ela olha bem nos meus olhos, olhar de admiração, é comum no decorrer dos dias isso acontecer. tamanha vontade que eu tenho de despi-las, estas mesmas que me observam e armazenam abaixo da cintura um belo par de nádegas...
engraçado a nudez dos animais. me lembro de índios canibais.
chega né.. já se falou demias disso, vamos brincar um pouco.
não me lembro da metade anterior do ditado, mas a segunda metade era assim: "poeta pensa em tudo, eu só penso em voceis, não quero ser poeta..."
vi na parede de um bar há uns 15 minutos atrás. o ditado era acompanhado por outros que diziam coisas sobre deus, sobre solidariedade, sobre saúde e dinheiro, sobre prosperidade, essas coisas. tomei um conhaque. desceu rasgando e me esforcei pra fazer cara de que não sentia nenhum amargor na garganta. o sacrífico foi benévolo, suave bebedeira se apoderou de mim. no caminho de volta pra casa, cruzo com uma mulher, ela olha bem nos meus olhos, olhar de admiração, é comum no decorrer dos dias isso acontecer. tamanha vontade que eu tenho de despi-las, estas mesmas que me observam e armazenam abaixo da cintura um belo par de nádegas...
engraçado a nudez dos animais. me lembro de índios canibais.
segunda-feira, 9 de julho de 2012
claro como a luz, estranho como o ciclamen de strindberg
CÓCÓCÓRICÓCÓCÓÓÓ!!
a galinhaa!!
É mentira!!
muuuu!! muuu!!
olha o boi! agora é verdade
não, não é...!
ai ai ai, é sim...
chifrado foi. coitado. não acreditou.
o boi chifra. encorneado. aiai! deus!
o adultério! o que fazer?
pecado que constrange muitos homens e mulheres.
cafajestes, putas. ohhh!!! muita novidade se antes já não o fossem...
nega-se. pra que perjurar a putice a canalhice.. já está aí..
ninguém ta entendendo nada, seja claro, objetivo..
é assim ó:
o casal trepa, certo?
certo.
eu disse trepa!!
ok ok...
alguém pode dizer que ao treparem já estão cometendo um ato pecaminoso..
compreende..
então a traição seria um ato duas vezes pecaminoso, o adultério...
mas se o adultério já é feito na luxúria do sexo conjugal, porque torná-lo pior com outrem....
ai esquece, cansei de falar... não é preciso...
cocococo!! a galinha faz có e não sabe... que fala
o boi faz mu e entra na nossa goela sem saber...
e nós sem saber sabemos que não sabemos quando sabemos muito....
ai ai... alguém certamente ja escreveu algo parecido.. mas vale, vale, tudo vale...
não não... isso não é esporte.. valetudo... jamais..
o esporte é algo que é pra preservar a saúde. nisso ai as pessoas se agridem se ensanguentam...
então tá..basta ao tudo vale ou vale tudo...
deixa que eu guardo o segredo..piscada piscada
alooooouuu!! quem é? sou eu... eu quem ? eu... eu quem?... eu... ai, fala quem é esse eu que fala mas num diz quem é..o seu nome quero saber, eu sei que é "você" mas quero saber o seu nome, eu sei que é "eu" assim como eu sou eu, alguem.. mas o nome, o nome!.... eu não tenho nome... ora, como não tem nome?! todos tem um nome, até mesmo uma árvore pode ter um nome, como uma pessoa não teria?. ora, eu sou uma pessoa que não tem nome, podemos dizer que me esqueci do nome que tenho... e alguém além de você sabia do seu nome? ...não sei, acho que ninguém me conhecia antes de você, ou esqueceram de mim e se me vissem, assim como eu, não lembrariam o meu nome... ora, então torna-se impossível identifíca-lo, senhor. já sei vamos dar um nome para você.. não não, quero o meu nome, aquele que tinha e do qual me esqueci... mas senhor, vc não percebe que é impossivel saber?!... sim, mas tentemos lembrar... como senhor? ninguem sabe.. só estamos eu e vc e vc esqueceu o seu nome... mas também, não quero nenhum nome, não é necessário, estamos aqui há horas e sem nome já conversamos o suficiente o bastante para sabermos que não tenho nome, isso já é um grande feito para mim... ora, senhor, assim fica impossivel, creio que você não exista... basta que me dê um nome, basta que fale comigo e eu existirei, se isto lhe traz problemas não é problema meu.... sim, mas meu senhor, e sim eu quero saber o seu nome, porque desconfio que vc esteja escondendo-o de mim.. ora ora, mas agora vc me surpreendeu.....
a galinhaa!!
É mentira!!
muuuu!! muuu!!
olha o boi! agora é verdade
não, não é...!
ai ai ai, é sim...
chifrado foi. coitado. não acreditou.
o boi chifra. encorneado. aiai! deus!
o adultério! o que fazer?
pecado que constrange muitos homens e mulheres.
cafajestes, putas. ohhh!!! muita novidade se antes já não o fossem...
nega-se. pra que perjurar a putice a canalhice.. já está aí..
ninguém ta entendendo nada, seja claro, objetivo..
é assim ó:
o casal trepa, certo?
certo.
eu disse trepa!!
ok ok...
alguém pode dizer que ao treparem já estão cometendo um ato pecaminoso..
compreende..
então a traição seria um ato duas vezes pecaminoso, o adultério...
mas se o adultério já é feito na luxúria do sexo conjugal, porque torná-lo pior com outrem....
ai esquece, cansei de falar... não é preciso...
cocococo!! a galinha faz có e não sabe... que fala
o boi faz mu e entra na nossa goela sem saber...
e nós sem saber sabemos que não sabemos quando sabemos muito....
ai ai... alguém certamente ja escreveu algo parecido.. mas vale, vale, tudo vale...
não não... isso não é esporte.. valetudo... jamais..
o esporte é algo que é pra preservar a saúde. nisso ai as pessoas se agridem se ensanguentam...
então tá..basta ao tudo vale ou vale tudo...
deixa que eu guardo o segredo..piscada piscada
alooooouuu!! quem é? sou eu... eu quem ? eu... eu quem?... eu... ai, fala quem é esse eu que fala mas num diz quem é..o seu nome quero saber, eu sei que é "você" mas quero saber o seu nome, eu sei que é "eu" assim como eu sou eu, alguem.. mas o nome, o nome!.... eu não tenho nome... ora, como não tem nome?! todos tem um nome, até mesmo uma árvore pode ter um nome, como uma pessoa não teria?. ora, eu sou uma pessoa que não tem nome, podemos dizer que me esqueci do nome que tenho... e alguém além de você sabia do seu nome? ...não sei, acho que ninguém me conhecia antes de você, ou esqueceram de mim e se me vissem, assim como eu, não lembrariam o meu nome... ora, então torna-se impossível identifíca-lo, senhor. já sei vamos dar um nome para você.. não não, quero o meu nome, aquele que tinha e do qual me esqueci... mas senhor, vc não percebe que é impossivel saber?!... sim, mas tentemos lembrar... como senhor? ninguem sabe.. só estamos eu e vc e vc esqueceu o seu nome... mas também, não quero nenhum nome, não é necessário, estamos aqui há horas e sem nome já conversamos o suficiente o bastante para sabermos que não tenho nome, isso já é um grande feito para mim... ora, senhor, assim fica impossivel, creio que você não exista... basta que me dê um nome, basta que fale comigo e eu existirei, se isto lhe traz problemas não é problema meu.... sim, mas meu senhor, e sim eu quero saber o seu nome, porque desconfio que vc esteja escondendo-o de mim.. ora ora, mas agora vc me surpreendeu.....
alo alo alooooo teachersss
um conhaquinho e uma gelada
são benvindos
está frio, monsieur, muito frio,
no bar não falta amigo,
se quiser arruma até briga,
é fácil, não vou com tua a cara e "Pei!"
mas, assim, falando a verdade,
uma garotinha também vai,
mas depois depois,
só na conversa e leva,
dá casório!! oxente...
oi? mundo das ideias? teoria da causas?
impacto da fotografia no século XIX?
fim da arte? fim dos tempos? anos dois mil?
eu tô na puta do brasil.
já disse uma vez: "a vida é um passarinho cantando dentro de uma árvore oca"
vous avez compris? non...
os recantos da ignorância, esses sim...
dediquei-me a esquecer o princípio determinante da ação justa.
uma vez encontrado, para sempre esquecido.
come on dance with me tonight!!
Boècio, o elogio da memória dentro da prisão.
as grades, os livros, sumiram sumiram os livros para sempre...
um dia dormi na biblioteca.
... a bibliotecária. um sonho juvenil.
agora mesmo Jimi toca sua guitarra.
Sócrates tornou-se imortal. A consolação. As luzes do conhecimento.
Depois de cem anos. 42. Os Libertadores da América mostram sua cara.
uaaauuuuu!!! uma festa na terra da Santa Cruz dos índios sertanejos canibais. tupinambás.
tupínamboults. Pauleminski.
é que fogo apaga água pela terra e joga tudo pro ar!
Empédocles. Aristóteles número 1: falto sôr!
Boécio: gripado...!! Aiai! a filosofia engripando todo mundo...
Quero dizer, eu estudei tendeu, eu li, agora vim e crê, vi.
As respostas para as perguntas são problemas logísticos de academia.
Os muros dela falam, as paredes se movem e as tintas as palavras são tinta.
aiaiaiaiaiai!! um espinho aqui na mão. Jesuiss!!
arthur yelloy big ear
quinta-feira, 5 de julho de 2012
o "Olá!" e sua possível contribuição à linguagem humana
"Existe uma pequena possibilidade de tudo estar errado, uma grande possibilidade de tudo estar certo, pois se assim não o fosse ninguém entenderia um simples "Olá!". Ora, um "Olá!" ou "Bonjour!" são simples, o que há demais nestas expressões? Não me arrisco a tanto e considero ainda um mistério os cumprimentos. Não posso dizer que são simples.Um "Olá!" nunca é solto, digo, nunca é solto desinteressadamente, existem tantos "Olás!" inoportunos, às vezes, indecentes, por que não Interessantes? Daí a grande possibilidade de tudo estar realmete certo pela cabal prova de um "Olá!", ou mesmo tudo tornar-se indecentemente errado pelo simples som de um "Olá!". Digo, um "Olá!" é mais do que sonoro, é também abusadamente táctil, arrepiante. Digo de olhares, as intenções de um sincero e simples "Olá!", marcante, bonjour pela manhã, um "Olá!" e o corpo despe-se singularmente. O lamento sacerdotal: "Quanta lascívia num cumprimento. Absurdo. Aparentemente inocente. Esconderijo de desejos. Ponta de iceberg."
T.F.
Assinar:
Comentários (Atom)
