quarta-feira, 11 de setembro de 2013

lamento clandestino de um objeto sujo



"Que livro você está lendo? Um livro de filosofia. Olha, professor, você dobra e desdobra esse ferro e ele fica quente. Isso se deveee... Eeee, pera aí... Tem uma explicação física... Aquecimento de moléculas... Muito bom o livro, com a condição de que o entenda. Hegel, Fenomenologia do Espírito.


"Minha flor
Minha maravilha
Tu és o amor da minha vida". 


           Não dá nem pá copiá véi! Ora, vejam só, como é insípida a existência. Ou seria a existência? Ou aquilo que acontece? O ser-aí? A realidade? É chato!
Uma buzina teimosa teimava em gritar em frente ao portão. Sucumbi como um patinho caindo na armadilha do sensível e grosseiramente real palpável. O espírito? Onde o Espírito nisso tudo? A cara dele, gente! Deficiente. Rapei a barba sábado. O bicho não cria barba, mano, o baguio brota. O baguio é o quê? Que que o Allan quer cara? Só você não feiz ainda Jão. 
E chega para interromper a balbúrdia a nossa querida chefe estúpida que dói! Por que ela não vai para aquele lugar? Garotinho mal-educado, preciso conversar com a sua mãe. O psôr, tiro assim, psôr.
Qual a origem das Cidades-Estado? Verifique! Verificação? Pesquisação! Pesquise! Pesquisar o efeito dos verbos imperativos. Atenda o telefone e diga: Fale! Issoo... Ó! Vô coloca um Ventania aqui e vou fazer essa redação rapidinho. Sabe o que ele fazia para escrever daquele jeito? Não? Liga o ventilador aí ow, porque peidaram aqui. A transcrição do real se dá por meio dos ouvidos e dos labirintos. Apenas sendo surdo para escrever um romance romântico nos moldes do romantismo brasileiro. Essa idéia de solidão do autor não deve nunca se confundir em não misturar-se ao real ou ignorá-lo. Compare-se com a fotografia. É igualzinho! Uau, a cara do pai. O pai no caso é o que acontece, o filho a transcrição do que acontece e o que acontece é música para os ouvidos de qualquer um. Ow, já tô sabendo onde é o bordel aí véi, vamo lá hoje!


      "Meu Deus como dói
A dúvida corrói
o prazer vem logo
mas a dúvida corrói
imensidão e vastidão de campos
perambula-se sem conhecer
o começo ou o fim,
dói o tempo que não é
e a deformação das formas
já não seria uma forma
deformação de que forma?
Se é existência ativa
tem forma."



E isso não é nada.
"


T.F.



quarta-feira, 4 de setembro de 2013

UNESP-FFC-MARÍLIA



"Nas universidades públicas existem brancos em sua maioria, garotas enfeitadas, poucos negros, menos ainda índios e uma porção de professores estúpidos e arrogantes. Existem também os que praticam os cursos "vermelhos" e os que praticam os cursos "não-vermelhos". Os que praticam os cursos "vermelhos" acusam os que praticam os cursos "não-vermelhos" de alienados e pelegos. Os que praticam os cursos "não-vermelhos" acusam os que praticam o curso "vermelho" de comunistas sujos. Embora se encontre muitas exceções, a regra geral é essa." 


T.F.


"Andava por um bairro de classe média alta a procura de dinheiro para sair da cidade. Calçava um par de chinelos gastos que se interpunham a sujeira dos pés. Barba espessa, pele morena e vestia camiseta branca de um grupo de capoeira. Encontrou numa rua curta do bairro dois homens brancos conversando na calçada da casa de um deles. Havia uma caixa cheia de livros em inglês no chão. O pedinte falou as palavras de praxe e lhe foram negadas quaisquer quantidade de moedas com a desculpa de que não tinham. Reponderam de uma forma meio a balbuciar, a vergonha, o sentimento de culpa por aquela miséria lhes assolou a alma. Mesmo assim, tentaram se desvencilhar daquele sentimento alegando medo. O sentimento de perseguição da classe média é grande, chegam em casa com os faróis do carro ligados para que nenhum sujeito escondido não lhes surpreendam com uma arma por sob a camisa. "


T.F.