sábado, 12 de maio de 2012
poema perdido
a respeito do belo e do feio,
dizem, disseram, admiram
o que é?
dois jovens apaixonados um pelo outro se mataram frente a frente,
ficaram eternos,
no cemitério agora os cérebros apodrecem,
e eu não sei se isso é belo.
através de dramas e remorsos
ninguém deve recusar os pedidos do poeta.
estou com fome,
há uma nota de cinco e outra de dois na minha frente,
não há um bar na esquina da minha rua,
muuu! fazia a vaquinha escrita naquele livro lá,
quem sabe? quem sabe?
estou com fome!
duas latas de cerveja vazias,
sem cueca estou,
as camisinhas que encontrei estavam podres e joguei fora.
afinal, o mundo não está tão bagunçado assim,
ainda se produzem teorias,
econômicas, dados estatísticos,
os negros reclamam por justiça,
os índios recuperam terras na Bahia,
e eu não pago o aluguel de casa.
há certamente nesse instante alguém lavando louças,
alguém guardando pratos,
e mais outro alguém esperando a ressaca passar.
a Primeira Guerra Mundial aconteceu entre 1914 e 1918,
eu sei disso,
e a Segunda 21 anos depois,
Fernando Pessoa nasceu em 13 de junho de 1888,
eu 101 anos mais tarde, o que diz a certidão.
o nome do meu violão é John Atan,
estudo o Eterno Retorno,
tenho um braço maior que o outro,
gosto do samba de N. Rosa,
e a música de massa me incomoda.
A rima foi involuntária,
filósofos querem ser presidentes,
a educação está uma bosta,
e os barulhos de janela batidas pelo vizinho me irritam.
Existem redes sociais na internet,
conheço histórias de casais que se conheceram assim.
Me pergunto se os acadêmicos acreditam mesmo em suas teses.
E por que há tantos modos de falar?
Nas idas e vindas de ônibus eu percebo,
e é tudo errado eu diria.
Como? Como?
Termino o fim desse poema sem saber nada sobre o belo.
"Abuso literário!"
T.F.
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