terça-feira, 9 de julho de 2013

preciso de ajuda; duas linhas de força entraram em conflito, o resultado do choque deu origem a mim. agora, o que faço? preciso de ajuda. não encontro água para matar a sede, não sei que roupa vestir e não sei com que alimento matar a fome. sinto-me praticamente insaciável. não que eu vá morrer, caso não seja saciado. o fato é que já existo, e por isso mesmo nunca deixarei de existir. a questão é que preciso de ajuda. vocês me entendem. preciso de ajuda. para quê? não sei. a questão é que preciso de ajuda.


o jovem, após o monólogo, caminhou, depois de duas horas vagas, encontrou um lugar, uma espécie de quarto fora de qualquer casa, era apenas um quarto e nada mais. tamanho era o quarto que podia abrigar o que o jovem encontrou lá dentro: muitos livros. começou a ler. e todos os dias ia até lá e lia durante horas muitos livros, mutias vezes apenas partes de alguns, outras pequenos de outros, e outros ainda que deixava para terminar nos dias próximos. muitas vezes distraía-se por algo externo ao quarto e não lia como a regra da leitura manda ler com atenção aquela parte do livro em mãos. meu deus! ele pensava, devo voltar, e retomava o que considerava perdido, de suma importância que era. concordava com muitos. concordava coma opinião de muitos. discordava coma  de outros. interpretava. associava. diluía. criticava. a maioria eram de filosofia, os outros, poesia, e outros ainda de história, literatura, e ainda outros de ciências naturais, e outros ainda, medicina, e ainda outros, economia, tinha quase de tudo. eram os mais diversos autores, de diversas nacionalidades. pensava, uau! que diversidade, quantas histórias! sob o mesmo céu! isso o intrigava. decidiu escrever também. começou pela folha e a caneta. nada pensava que considerasse importante anotar. nada que a imaginação lhe trazia o satisfazia. tentou elaborar uma interpretação sobre a dinâmica construtiva das sociedades. percebeu que o que havia de comum nas sociedades era o fato de sempre existirem muitos indivíduos. procurou e procurou, mas não conseguiu encontrar sequer uma sociedade que houvesse apenas um e somente um indivíduo. o que o fazia pensar que se de fato existisse tal sociedade, essa sociedade não teria em primeiro lugar um idioma pelo qual pudesse se comunicar. em segundo lugar, tal sociedade teria uma existência curta, visto que nalgum momento o indivíduo que a compunha deixaria de existir...

os gatos!

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