quarta-feira, 24 de março de 2010

linha reta de um poema ilusório: não-eu, palavras são só palavras

'As cores dos meus olhos são sempre as mesmas, assim como as cores que as mãos tocam. Sentem apenas a quentura e a frieza da matéria mundana, as mãos. Tive a impressão, tempo atrás, de algo oposto, diverso, mas como se fosse ainda através de olhos e mãos. Não se dava no espaço e no tempo (era imediato), eram cores e sons mudos, gritos sombrios, vultos sutis e vagarosos que apenas de olhos fechados e ouvidos sonolentos eu pude perceber. Coisa percebida. Talvez porque não apenas um ou dois sentidos estivessem em ação, mas todos ao mesmo tempo. Unidade da visão, audição, olfato, tato e paladar. Eis o pensamento. O gosto das idéias eu sentia sublime vermelho, ouvia a voz doce do amor, selvagem era o perfume insuperável, visão ofuscada pela energia infinítica do Sol, música anil da natureza.
Sinto.
O coração dispara, ouço o cheiro respirar ofegante em meu leito.

Mas a ciência ainda vai provar tudo, você vai ver.
Devo esquecer sentimento, pensamento e crença, são inúteis. Au revoir!dores catastróficas.

Estou vivo ainda."

T.F.

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