descobri que estou um pouco perdido num mar imenso de idéias. o desprezo visto nos olhos de alguns sobre mim, o escárnio, a intolerância e impaciência, a pressa com que exigem uma resposta de mim; isso tudo tem me torturado um pouco. ao mesmo tempo que guardo um sentimento de extrema confiança sobre mim mesmo guardo também uma estranha preocupação a respeito de deveres ao meu futuro no mundo. vejo coisas erradas acontecendo, mas que porém são inevitáveis e acabo me culpando por tentar fugir delas mesmo elas sendo inevitáveis, e talvez acabe sendo prejudicado por isso de alguma forma. mesmo porque eu não nego a possibilidade de estar errado, e o que eu julgava errado na verdade é o que era o certo. diante de tantas dúvidas fico um pouco sem saber o que fazer, com o freio de mão puxado, os mecanismos de ação um pouco travados e enguiçados; idéias não muito claras me passam pela cabeça. isso se reforça quando, principalmente, encontro frustrações pessoais, quebra de expectativas, coisas que nos tiram o chão por dizer assim. hoje, terminei de ler um livro lindo, muito lindo mesmo, chamado pergunte ao pó de um escritor pouco conhecido chamado john fante. o livro contava uma história cheia de aventuras de um escritor louco que morava sozinho num hotel. um dia ele conhece uma garçonete chamada camila lopez e acaba se apaixonando por ela. acaba querendo vê-la todos os dias. e daí as aventuras vão se desenrolando e ele percebe que ela não é uma pessoa nada comum, cheia de tristezas e euforias. louca como ele. ele briga constantemente consigo mesmo por ser escritor. briga com a tinta, briga com a máquina de escrever, briga com suas emoções e pensamentos. anda pela cidade, tem paranóias, é revoltado. e no meio de tudo isso o amor. o desejo por uma só pessoa. a paixão por um corpo. a revolta, o ódio, a dignidade extinguida. a loucura. a história desta bela obra acaba de forma triste e trágica. em seu desenrolar o autor não mostra nenhum sinal exato deste fim. mas dá supostas pistas. mostrando as frustrações, as tragédias e os absurdos, de um mundo que ao redor de suas vidas promete felicidade e progresso, mas que no entanto consegue amargurar, sufocar almas belas como a dos personagens do livro, almas que não sabem muito bem o que fazer ao acordar, tem a certeza apenas de seu trabalho e que devem comer, mas que ao se depararem com o lado emotivo e aventuresco se perdem e se machucam, autodestroem-se continuamente demonstrando suas fraquezas e nos pedindo nossa eterna piedade. algumas cenas narradas deixa-nos até mesmo aterrorizados. a angústia. o engolir seco da saliva. os ventos das colinas bunker-hill. john fante consegue nos deixar estáticos, sedentos página após página. as frustações, a carga emotiva descarregada muitas vezes com humor e ironia. e a visão do escritor sobre a própria experiência de se colocar no mundo como escritor. mas um escritor puro, que faz de sua atividade algo nobre e sublime, mas também preocupado com o estômago, com sua vida. fundem-se então no livro a mágica beleza de um escritor com a cruel aspereza da vida como ela se dá e se tem. o ano é 1939. poderia ser hoje. poderia ser no brasil. poderia ser na irlanda. poderia ser numa cidade qualquer do interior do estado de são paulo. john fante nos transporta para nós mesmos. como diz bukowski não tem medo de fortes emoções. e escancara o humano em toda sua sutileza emotiva e trágica, numa prosa absolutamente próxima.
de maneira alguma minha intenção era ao começar a escrever este texto a de elaborar uma suposta sinopse do livro. a identificação que encontrei nessa obra e a angústia própria dela é que me levou a escrever. a dúvida sobre a qualidade de minha escrita. a cobrança sobre mim mesmo. a exigência de algo digno de se ler. os extremos disso tudo me torturam. cobro-me competência e dedicação. o que faz de um escritor um escritor? o que faz de um verdadeiro artista um artista? já li inúmeros livros. poesia, prosa, romance, filosofia, história. muita coisa, muita. de todos gêneros possíveis. mas e aí? e agora? e junto com tudo isso o mundo. as cidades. a minha cidade. a minha casa. a minha vida. os meus problemas, os problemas dos outros. o que fazer? começar a elaborar o meu projeto de TCC? um começo possível. profissionalmente falando era o que de mais urgente eu deveria fazer. mas não. teimoso que sou, insisto numa suposta carreira vindoura de escritor assim como arturo bandini o personagem de john fante.
tenho amigos. muitos deles. gosto deles, gosto de conversar. tenho poemas escritos também, mas que logo caíram em mau uso por mim mesmo, venho percebendo que foi uma grande tolice tantas páginas escritas em versos. porra, eu não sabia nem rimar, não soube, não sei. pede-me pra fazer um soneto? mando enfiá-lo no rabo. versos alexandrinos, o que é isso? sim, não sou estudado quanto a isso. tive péssima escola cultural. e não era o melhor aluno em literatura ou português. adolescente sem grandes crises, gostava de ler, mas não muito. só na faculdade mesmo é que essa paixão veio à tona. desde o primeiro dia com as dores do mundo de schopenhauer até hoje foram mais de 200 livros emprestados, talvez nem a metade lida, mas certamente um breve conhecimento. escrevi também. tive trabalhos de faculdade elogiáveis. outros não fiz. outros colei da internet. outros fiz nas coxas mesmo. conto-lhes um segredo. a maioria dos professores não sabe dar aulas. bem baixinho. são enfadonhas suas aulas. são dogmáticos. orgulhosos e quase nunca divertidos. sim, algumas aulas foram magistrais. mas de uns tempos pra cá um fardo tem sido o camniho até a faculdade, a não ser pelo motivo de ver algumas garotas e ter a chance de encotrar aquela de quem realmente eu gosto. mas isso é pra outra hora. hoje porém sinto. algo nobre vem constantemente crescendo em meu espírito. os romances são bastante familiares agora. não é como antes. sinto cada vez mais uma forte paixão pelos livros. o cinema vai ficando pra trás. e as tentações da cidade começam a se tornar fúteis. e sinto-me protegido. reconheço pelos olhos as pessoas. não perco mais tempo talvez com preocupações tolinhas. mas sim penso todo dia em poesia, em escrever e nela, sempre nela. os romances são prazerosos de serem lidos, dostoievski, joyce, rimbaud, nietzsche, guimarães. sim, estes sim merecem um lugar especial. são grandes.
e uma passagem de joyce lida na marugada passada. o retrato do atrista quando jovem a obra do começo do século. há quase cem anos, pouco menos. e hoje, agora, eu, eu escrevendo. com meu vocabulário limitado. com outro meio. computadores naquela época jamais. acho que nem a palavra "computer" era muito usada. hoje essa merda aqui. talvez tenhamos um saudosismo quanto a isto. quanto a epocas em que a tecnologia não nos dominava tanto. e as pessoas talvez fossem menos neuróticas e apressadas. menos sedentas de informações. menos obsessivas. talvez a própria linguagem tenha se alterado. os costumes mesmo. a forma de ensinar nas escolas. o respeito pelos professores. ora, mas o que estou dizendo aqui. isso não é nada impossível de se recuperar. basta que paremos de reclamar um pouco e tomemos alguma atitude efetivametne. comecemos por exemplo a ler..hehehe, e daí pra frente inovações liguisticas amparadas pelo passado podem se tornar bastante viáveis. e a obra de joyce por exemplo ser bastante notável. sendo referência em escolas. avante! criemos uma corrente um movimento literário hoje. de recuperação da cultura. através da inteligência e do humor. agradeço, agradeço...
é claro que estes escritos estes aqui mesmo.. parecem bastante convencionais e inteligíveis. qualquer pessoa quer tenha um pouco de paciência em leitura consegue ler e entender tudo que escrevo aqui. a desculpa de letra feia não tem como. vamos identificar isso aqui como um relato de alguém viajando pelo espaço e nossa nave é a terra. como naquele programa do carl sagan. tenho tantos outros relatos guardados. cada bizarrice flagrada de forma quase cruel. mas sem esquecer a regra de que o artista deve criar a beleza.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário