quinta-feira, 27 de outubro de 2011

hoje um homem me disse: aconselho-te a deixar de lado esse negócio de poesia, isso é pra quem tem talento, pra quem tem cultura, pra quem sabe línguas, pra quem sabe português, pra quem escreve bem. você? ora, você até tenta, mas francamente, convenhamos...

abaixei a cabeça e apenas ouvi aquelas palavras horrendamente torturantes à espera de uma boa resposta pr'aquele velho nojento. não fui capaz. o silêncio me tomou e saí. caminhei, caminhei, à procura de inspiração, à procura de idéias e palavras para um verso bem ritmado e consistente. mas, nada, nada. pensei: talvez seja verdade mesmo o que disse o velho, há quanto tempo que não escrevo sequer uma linha decente, digna, respeitosa. melhor desistir mesmo de toda essa bobagem e parar de sonhar em ser poeta de verdade um dia. e de tudo o que já escrevi, quantas vezes li e reli e julguei ser um lixo toda aquela baboseira sem sentido e sem nexo algum. quem ouvirá, quem lerá os meus versos e se surpreenderá com aquilo dizendo "uau, ora, um poeta de verdade vejo aqui!" duvido muito, muito mesmo. bosta de poemas, bosta de vida, perda de tempo. que tal começar a estudar as bases da escrita, aprender um idioma, ou qualquer coisa do tipo, para pelo menos estar habilitado a fazer qualquer ousadia nessas aventuras poéticas.

mas, não. ainda por cima sou preguiçoso. não consigo cruzar totalmente a ponte que iniciei e às vezes sinto medo. ingênuo, estúpido, altametne inocente. covarde. incapaz de ir até o fim em confrontos que se iniciam. acabo deixando pra lá, ignorando por medo. e eles riem de mim, sim riem muito. meus inimigos. sou fraco. bobo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário