domingo, 5 de agosto de 2012
era do pornô
"sou fã de Alexis Texas e seus gemidos,
estudo a disposição dos corpos curtos num espaço e tempo definidos
pelo soar das notas vibradas de um violão,
movimentos repetidos,
volume alto, baixo,
visão, ouvidos, olfato.
Marilyn Monroe, John Kennedy,
mortos, todos eles,
e alguma coisa ainda sobrou.
abundância pobre.
nós somos comunistas e não sabemos,
capitalistas e não sabemos,
não, eu não gosto dos poetas novos.
mas quem você já leu? quem?
nós temos acesso a tantas coisas,
mas não sabemos nada.
quando vamos reaprender a verdadeira cultura,
quando recuperaremos aquela velha e antiga dignidade de séculos passados,
ouvimos algo morto e sentimos saudade, já reparaste?
as rimas eram ricas,
hoje pobres? não... hoje banais, esdruxúlas,
mas ainda sabemos algumas palavras bonitas,
de vez em quando utilizamos aquele tom solene que nos traz o passado à lembrança,.
verdadeiramente não se fala de poesia, não se pode falar,
não coloque dor num poema.
fale de dragões, fale de cores vindas do fundo do mar,
fale da serpente comilona de abutres, javalis, ovelhas,
fale das trovoadas dos dias de chuva,
alma? você já falou de alma alguma vez?
renda-se então, olhe o mundo...
vê alma nele? nem pra um cego...
apenas pare... elimine todas as certezas,
elas são palavras, são estórias, fábulas...
que se faça uma fábula decente, enigmática,
permito-me uma interferência agora.
existem cães, existem bebês,
exitem pessoas dotadas de razão e bom-senso que vêem na comilança de carne algo de inescrupuloso.
existiam índios, existiam árvores, existiam palácios e pedras preciosas,
foram fabricados carros, máquinas a vapor, inventou-se a lâmpada,
e descobriram que a água poderia um dia acabar,
alguns passaram fome, outros foram degolados, outros nus,
outros presidentes, generais, verdadeiros líderes do como-viver-bem,
sepulturas foram feitas, sacrifícios, crianças navegaram pelos mares,
fabricamos inseticidas, carrapaticidas, a morte sempre perto.
alma? alma? alma?
o lápis-lazuli os químicos identificaram,
sua cor chamava a atenção,
um adolescente vestibulando no Brasil agora estuda a tabela periódica e descobre os elementos descobertos por um russo,
enquanto outro lê uma tradução de um romancista,
Pais e Filhos, Memórias, a Morte...
gente vinda do norte ganha a vida construindo hospitais e escolas no Sul que seus filhos nunca vão ver...
gastam horas, fazem piadas,
enquanto a chuva não vem as marretas, os pregos e os concretos harmonizam-se pelo progresso da nação...
Brasil, Brasil, um país de todos.
Tratemos de torcer pela seleção dos melhores, pelos representantes desta imensa nação feliz,
enquanto isso o rádio toca:"
T.F.
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