O silêncio guarda segredos próximos a nós como a pessoa ao lado, principalmente quando se trata de uma belladonna moça agradável de se olhar. A timidez nos impede de iniciar qualquer conversa; o medo de decepcionar ou decepcionar-se, arrepender-se. Resta neste caso então a escrita. Nada como um papel e uma caneta nestes momentos cruciais. Faz-se até charme assim. E ela pensa: olha, ele escreve. Chama a atenção dela discretamente o escrever. Suscita a curiosidade. Olho o relógio, 15 minutos ainda para o ônibus partir. Sei que ela tem namorado. Talvez por isso minha timidez. Mas é tão bonita; belos seios, boa estatura, pés pequenos e delicados. Estou faminto e sem grana. Ontem fôra páscoa. Ela mexe no celular. Talvez mandando alguma mensagem para o seu Bem. Neste mesmo instante outra garota se aproxima e se aconchega a dois lugares distante do meu. É bonita também; mexe no cabelo e veste roupa de ginástica. É mexer ou mecher? Pergunto-me e respondo em seguida pensarosamente: mexer, sim, com X. Pergunto-me ainda se não há outros nomes que não sejam Xuxa ou Xenofonte que também comecem por X. E me lembro: Xerxes, o grande imperador persa derrotado pelos guerreiros espartanos.
Presidente Prudente. Boa viagem. Leio num ônibus que estaciona e um mosquito de bunda de cachorro tenta pousar em minha mão a escrever. Um pequeno ponto feito a caneta num dos dedos da mão esquerda faz-me confundir com o mosquito intransigente. A garota com roupas de ginástica já saiu do meu lado, a outra também; foi enfrentar a fila para tomar o mesmo ônibus que o meu. Azar se eu não conseguir pegar lugar em qualquer assento, mesmo que seja no fundo que balança muito. Fim do ônibus, fim absurdo, trêmulo e barulhento. Isso que dá ficar escrevendo e não viver.
T.F.
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